Make your own free website on Tripod.com

"A ARTE E O PRAZER DE DANÇAR SALSA"

por André Matos Gama

Hola salseros!

Atendendo ao convite do meu amigo Bernardo, estréio como colunista do Salsa Brasil, tendo a dança como enfoque principal.

Como observador quase compulsivo, tenho há algum tempo notado diversos pontos no panorama salsero no Brasil. Estes pontos me levaram a travar algumas discussões sobre a situação da Salsa no nosso país.

Um dos problemas principais que vejo é a forma pela qual a maioria das pessoas conhecem a Salsa, e que é determinante na maneira pela qual esse movimento se desenvolve. Hoje, a principal forma de contato com a Salsa é através das academias. Não vejo nenhum mal nisso, porém uma aula de Salsa, por melhor e mais animada que seja, não tem o clima e a alegria de um baile latino. Outro ponto está na ambientação do aluno ao universo salsero. Como é possível se dançar uma música a qual nunca escutamos e que  não conhecemos, mesmo que instintivamente, sua estrutura? Talvez o caminho fosse reformular os métodos de ensino da dança, neste caso especificamente, a Salsa.

É um processo lento e de longo prazo, mas que precisa ser iniciado o quanto antes. Hoje em dia, qualquer um que tenha um repertório razoável de passos já se considera apto a ensinar e esse é um grande problema, pois na maioria das vezes não há preparo, didática e conhecimento para fazê-lo. Tudo isso acarreta numa enxurrada de problemas, que vai desde informações totalmente deturpadas até lesões de músculos e tendões. Quase não há profissionais, no significado real da palavra, e é necessário mudar este quadro.

O que fazer então?

A primeira coisa a fazer seria rever a formação de um profissional de dança. A falta de informação e de formação faz com que os padrões sejam rebaixados, e a idéia errônea que se tem hoje da atividade só é reforçada. Dançar também é uma profissão. Assim como no ballet clássico, moderno e contemporâneo, deveria haver uma formação obrigatória para as danças de salão, na qual está inserida a Salsa. para ser um bom professor de dança é preciso muito mais que dançar bem. Estudar, pesquisar e atualizar-se é algo essencial para aperfeiçoar e inovar. Contudo, a pesquisa não deve se ater apenas no campo da dança, mas também no estudo dos movimentos, didática, música, entre outros.

Hoje a idéia que se tem de "dançar bem" é executar passos, fazendo com que a idéia de se dançar apenas pelo prazer de dançar se torne uma raridade. Isso é fomentado nas próprias academias, onde há uma "obrigação" em fazer o aluno executar inúmeros passos, deixando de lado a diversão, o prazer, a socialização e a descontração que a dança proporciona. A musicalidade, a interpretação daquilo que se está ouvindo, a identificação com a história descrita na música é um diferencial, mas deveria ser básico.

Creio que a "ambientação" seria o primeiro passo para alguém que decide aprender a dançar. Antes de qualquer coisa é preciso escutar a música e deixar que o corpo responda naturalmente ao estímulo. "Dançar é ensinar ao corpo uma linguagem que permita à alma expressar-se." (autor desconhecido). A música atinge nossa alma, sem dúvida. Então, mais do que ensinar seqüências de passos, creio que o melhor seria mostrar caminhos para que a criatividade e o sentimento fluam, tornando a dança algo mais do que repetições de movimentos, criando possibilidades e não algo exato. A dança de um modo geral envolve também emocional, que também é um grande responsável pela nossa expressão, já que só podemos expressar de forma natural aquilo que sentimos e que a nossa mente permite que façamos. Mas isto é o assunto do próximo artigo.

  Abrazos,

  André Matos "El Gato Volador"

 

(c) 1999-2004, Salsa Brasil OnLine.