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Meus Discos Favoritos

Esta é uma das seções que mais gosto de escrever. Aqui, falo sobre os meus discos favoritos. Nem todos eu tenho em CD. Alguns aqui eu só tenho mesmo em LP ou cassette. Mas as músicas destes discos, não importa a maneira como se apresentem, marcam a minha vida de salsero. É um aprendizado contínuo.

“ON THE MOVE! (¡MUÉVETE!)” – MANNY OQUENDO & CONJUNTO LIBRE

 

Eis um disco que, a princípio, eu não recomendaria para um salsero que está começando agora a sua coleção, por se tratar de uma concepção de Salsa não tão comum de se encontrar, hoje em dia. Talvez essa Salsa não tão comercial, com a marcação de clave tão evidenciada, só seja mesmo marca registrada do timbalero Manny Oquendo, do trombonista Jimmy Bosch e do pianista Wayne Gorbea. Há que se ter uma certa familiaridade com o “hardcore salsero” das orquestras de corte mais tradicional, em contraposição ao “mainstream” das orquestras salseras preferidas dos bailadores atuais. O que não significa que este CD não seja dançante, mas possivelmente agrade mais aos casineros, por ter músicas de longa duração, letras curtas, muitos soneos, muita improvisação instrumental e com um andamento que facilita as evoluções na pista.

Manny Oquendo é um timbalero da antiga geração, da mesma escola que Orestes Vilató, Willie Rosario, Ubaldo Nieto e Abelardo Valdés, moldado ao estilo cubano, em contraposição ao estilo porto-riquenho/nova-iorquino de Tito Puente, Nicky Marrero, Jimmy Delgado, Mike Collazo e Jimmy Sabater. No entanto, essa sua maneira de tocar timbales ajudou a forjar um estilo só seu, e que com seus temas em clave pronunciada (muito útil para quem está estudando percussão), deu uma sonoridade muito particular ao seu Conjunto Libre. Oquendo tocou timbales e bongô com Tito Puente, Tito Rodríguez, Eddie Palmieri, e foi um dos fundadores do Grupo Experimental y Folklórico Nuevayorkino. Isso por si só já lhe valeria uma posição no Hall da Fama da música latina. Mas foi com sua própria orquestra, a partir de 1974, numa parceria vitoriosa com o baixista Andy Gonzalez, que Manny Oquendo deu identidade própria a uma concepção musical que unia a agressividade dos trombones (mais parecidos com os da Orquesta La Perfecta de Eddie Palmieri do que com os da La Dinámica de Willie Colón), tipicamente nova-iorquinos, e uma seção de percussão fiel à estrutura rítmica cubana dos anos ‘50. E, claro, some-se a isso um sentido muito apurado de Jazz, influência direta dos músicos com quem trabalhou.

Por isso, “On The Move!”, o segundo gravado para o selo americano de jazz Milestones, ao vivo a 24 de maio de 1996, no Bimbo’s 365 Club, em San Francisco (Estados Unidos) é tão emblemático na carreira de Manny Oquendo. É praticamente um cartão de visita para quem o escuta pela primeira vez. O disco começa com “Chiquilla Ideal”, composição do próprio Oquendo e com vocais de Herman Olivera. O segundo tema, instrumental, é um “Standard” do Jazz: “Lester Leaps In”, de autoria do saxofonista americano Lester Young. O terceiro tema é “Oquendo y Libre”, onde Herman Olivera e Frankie Vasquez proclamam que em Nova York não há Salsa igual à de Manny Oquendo y su Conjunto Libre. A composição também é de Manny. O tema seguinte é um clássico da música latina: “Piel Canela”, de Bobby Capó. Os vocais são de Willie Rodríguez. O quinto tema, cantado por Herman Olivera, é “No Cuentes”, de autoria de Manny Oquendo e Francisco Aguabella. Segue-se então um pequeno medley de pouco mais de 17 minutos, com três temas: “Por Qué Tú Sufres” (vocais de Frankie Vasquez), “No Critiques” (vocais de Herman Olivera) e “Vengo Sabroso” (vocais de Frankie Vasquez e Herman Olivera) com direito a uma menção de “Yambú” como música incidental. O sétimo, e último, tema é “Muévete Un Poco”, de autoria de Manny Oquendo e vocais de Herman Olivera.

Ficha técnica:

Músicos: Manny Oquendo (timbales e bongôs), Andy Gonzalez (contrabaixo), Willie Rodríguez (piano e vocais), Roberto Carrero (congas), Dan Reagan, Angel “Papo” Vasquez, Wayne Wallace e Leonard Pollara (trombones), Herman Olivera e Frankie Vasquez (vocais).

Produtores: Manny Oquendo, Andy Gonzalez e Todd Barkan. Coordenador técnico: Wayne Gorbea. Engenheiro de som: Michael Semanick. Masterização: George Horn. Notas: Andy Gonzalez e Chris Morley. Fotografias: Steve Maruta. Design da capa: Jamie Putnam.

Meus agradecimentos sinceros a Carlos Eduardo Gomes “Caiado”, que me presenteou este disco em 2004.

"ASALTO NAVIDEÑO", vols. 1 e 2 - WILLIE COLÓN y HECTOR LAVOE

“Asalto Navideño”, volumes 1 e 2. Estes dois LPs, gravados em 1971 e 1973, respectivamente, estão entre os mais influentes da história da Salsa. E embora sejam discos de música natalina, podem (e devem) seguramente ser escutados durante todo o ano. Mas por quê são discos tão revolucionários assim?

Dentro da música latina, gravar discos de Natal não era exatamente uma novidade. Ao contrário, estava começando a se tornar uma tradição. Só para citar alguns, Celia Cruz e a Sonora Matancera, El Gran Combo e Richie Ray & Bobby Cruz já haviam lançados seus discos de músicas alusivas às festas de fim de ano, sempre baseados nos ritmos cubanos, em especial a guaracha. No começo dos anos 70, a banda de Willie Colón já tinha seu nome firmado como uma das mais populares do cenário salsero de Nova York. Então, não era nada surpreendente que ele, junto com seu vocalista Hector Lavoe, lançasse um disco de temas natalinos. Mas algumas surpresas estavam por vir.

A primeira era a proposta musical a ser levada a cabo. No lugar de gravar músicas de Natal com ritmos cubanos, Willie e Hector decidiram que o disco seria dedicado a Porto Rico, e que por isso mesmo usariam os ritmos típicos porto-riquenhos, como a Bomba e a Plena, bem como o Mapeyé, o Aguinaldo e e o Seis Chorreao. Ora, se a orquestra era composta de porto-riquenhos e nuyoricans, por que gravar Son e Guaracha? Por que não revolucionar a Salsa introduzindo música jibara, com sabor de café colhido nas montanhas do interior de Porto Rico?

Tal atitude causou furor entre os mais puristas, os que achavam que a Salsa deveria ser apenas composta de ritmos cubanos. Mas a idéia encontrou apoio em quem realmente interessava para Colón: Johnny Pacheco e Jerry Masucci, donos da Fania Records e produtores do LP a ser gestado. A pergunta era: “Quem é esse tal de Willie Colón e esse tal de Hector Lavoe para colocar ritmos não-cubanos na Salsa?” Logo eles, que protagonizavam a orquestra que, segundo alguns, era “A pior de Nova York”? Era realmente muito difícil de acreditar que aquela loucura daria certo...

O passo seguinte foi um “Tour De Force” para Willie Colón e Marty Sheller, arranjadores dos temas em questão. Não foi fácil conseguir transcrever a música jibara para o formato de uma orquestra de Salsa, principalmente a dele, cuja força repousava em seus dois trombones e nos dotes vocais de Hector Lavoe. Era necessário, para dar o verdadeiro sabor porto-riquenho, adicionar mais um instrumento: o Cuatro. Embora no começo a idéia de Willie Colón era colocar uma guitarra elétrica.

O Cuatro é um instrumento de cordas típico de Porto Rico. Seu encordoamento varia entre oito e dez cordas  em pares e sua afinação é similar à do bandolim e da guitarra portuguesa.

Nessa parte, a experiência de Hector Lavoe com a música jibara foi crucial. Nascido e criado em Ponce (cidade do sul de Porto Rico), Lavoe conhecia à saciedade os ritmos da ilha, e seu estilo de cantar era baseado em alguns dos seus cantores jibaros preferidos: Chuíto El De Bayamón, Ramito, Odílio Gonzalez e La Calandria. Coube a ele escolher quem seria o cuatrista a figurar na gravação. A princípio, seus preferidos eram Nieves Quintero e Maso Rivera, mas por questões de datas e viagens, o convidado foi Yomo Toro, um virtuoso não só no Cuatro, mas também na guitarra clássica. Para Yomo, que neste disco contou com a ajuda de Roberto Garcia, o sucesso da gravação também abriu as portas ao seu ingresso na Fania All Stars.

As gravações tiveram início no segundo semestre de 1971, e em novembro chegava às lojas o LP “Asalto Navideño”. O título do disco encerra um duplo sentido muito peculiar. Ocorre que em Porto Rico, o “Asalto Navideño” é uma forma de comemorar o Natal, onde várias pessoas combinam entre si de organizar uma festa, levando comida e bebida à casa de uma pessoa sem, no entanto, avisá-la, tomando de assalto. Só que também Willie e Hector eram chamados na época de “Os Gangsters da Salsa”, então essa palavra, “Asalto” também poderia significar que eles poderiam assaltar uma casa no Natal. A capa do volume 1, idealizada por Izzy Sanabria, mostrava bem essa dualidade, com Willie Colón vestido de Papai Noel e Hector Lavoe vestido de Duende, entrando num apartamento. O que não se pode definir direito é se eles estão deixando ou roubando um presente.

Musicalmente, o disco é um primor. A partir de “Asalto Navideño”, Willie Colón lança a sua proposta de que a Salsa era mais do que simplesmente música cubana, mas que era, por excelência um estilo panamericano. Tanto, que junto com os ritmos cubanos e porto-riquenhos estava a Murga, ritmo e dança típicos do Panamá. “La Murga” se tornou um hino clássico da Salsa.

Dado o sucesso do primeiro disco, em 1973 a turma se reuniu novamente para gravar o volume 2 do Asalto Navideño. Este segundo volume teve um êxito menor, mas sua qualidade musical é tão alta quanto à do primeiro disco. A capa mostra Yomo Toro vestido de Papai Noel, e Willie e Hector vestidos de Duendes, assaltando um posto de gasolina.

Se estima que a cada ano se vendam cerca de 10000 cópias a cada ano dos dois discos. Daí em diante, se tornou tradição gravar Aguinaldos, Bombas e Plenas no Natal. Dois discos que não podem faltar na discoteca de qualquer salsero. E tenho dito!

Ficha técnica do volume 1:

Faixas: 1- Introducción, 2- Canto a Borinquen, 3- Popurri Navideño, 4- Traigo La Salsa, 5- Aires De Navidad, 6- La Murga, 7- Esta Navidad, 8- Vive Tu Vida Contento.

Músicos: Willie Colón (1º. Trombone), Willie Campbell (2º. Trombone), Hector Lavoe (Voz e Maracas), Santi Gonzalez (Baixo), “Profesor” Joe Torres (Piano), Louis Romero (Timbales), Milton Cardona (Congas), Jose Mangual Jr (Bongos), Yomo Toro e Roberto Garcia (Cuatro), Polito Vega (Locução em “Introducción), Johnny Pacheco e Justo Betancourt (Coros).

Produção: Jerry Masucci. Engenheiro de som: Irv Greenbaum.

Ficha técnica do volume 2:

Faixas: 1- Pescao (Popurri Sambao), 2- Recomendación, 3- La Banda, 4- Doña Santos, 5- Cantemos, 6- Pa’ Los Pueblos, 7- Arbolito, 8- Tranquilidad.

Músicos: Willie Colón (1º. Trombone), Eric Matos (2º. Trombone), Hector Lavoe (Voz e Maracas), Santi Gonzalez (Baixo), “Profesor” Joe Torres (Piano), Louis Romero (Timbales), Milton Cardona (Congas), Jose Mangual Jr (Bongos), Yomo Toro (Cuatro), Johnny Pacheco e Adalberto Santiago (Coros).

Produção: Willie Colón. Engenheiro de som: Irv Greenbaum.

 

"AFINCANDO" - WILLIE ROSARIO y su Orquesta

Este é um dos melhores discos de Willie Rosario em todos os tempos e, para mim, representa o auge de sua produção na Bronco Records, durante os anos 80. "Afincando" foi o segundo LP gravado para a companhia de Bobby Valentin, trazendo sua dupla de cantores mais famosa: Gilberto Santa Rosa e Tony Vega, bem como uma linha de instrumentistas que fazia de sua orquestra uma das mais poderosas do ambiente salsero em todos os tempos Se para o primeiro disco na Bronco ("Nuevos Horizontes"), os resultados foram excepcionais, o segundo disco, que comemorava os 25 anos de carreira de Willie Rosario como diretor de orquestra, contou com os arranjos de alguns dos melhores músicos de Porto Rico e Nova York: Jose Madera, Jose Lugo, Humberto Ramírez, Isidro Infante, Bobby Valentin e Marcelo Rosario. 

O disco já abre um com um clássico, de autoria de Pedro Flores e cantado por Gilberto Santa Rosa: "Botaron La Pelota", que além dos soneos do jovem Santa Rosa, apresenta um contraponto belíssimo de sax barítono e trompetes na moña. Segue-se então com "Son Tus Cosas", com Gilberto e Tony cantando em dupla. O terceiro tema é "Al Fin Te Fuiste", com um arranjo impecável de Jose Madera, e Willie Rosario comandando o afinque. O número seguinte é "Estoy En Tí", mais um tema que mostra que Salsa romântica não necessariamente tinha que ser monga. O lado B do LP começa com Tony Vega, cantando "Magdalena", de Peter Velásquez. Fiel à sua filosofia de mostrar o que então se produzia de melhor em Cuba, e repetindo a fórmula vencedora de "Lluvia" (Agua Que Cae Del Cielo) do LP "Nuevos Horizontes", Willie trazia desta vez o tema "Vuélveme a Querer", do maestro Adalberto Álvarez e cantado por Tony Vega. A penúltima música do disco também é de Peter Velásquez, só que agora cantada por Gilberto Santa Rosa, e se chama "Enamorado a Lo Advino". Por último, vem "El Barquillero", cantado por Tony Vega e com arranjos de Humberto Ramírez.

Músicos: Willie Rosario (timbales), Jimmie Morales (congas), Tito Echevarría (bongô), Madamo Díaz (claves e maracas), Ricky Rodríguez (piano), Carlos Rondan (baixo), Marcelo Rosario, Humberto Ramírez, Carlos L. Martínez e Heriberto Santiago (trompetes), Beto Tirado (sax barítono), Gilberto Santa Rosa e Tony Vega (vocalistas), Mário Viera e Puppy Torres (coros). Gravado em Porto Rico, e lançado em 1985.

 

HECTOR LAVOE - "DE TÍ DEPENDE"(It's Up To You)

Entre os fãs de Hector Lavoe, há uma questão onde nós nunca chegaremos a um acordo: qual foi o seu melhor disco? Há quem defenda que o melhor foi “Comedia”, de 1978. Outros acham que o melhor foi o primeiro disco-solo, “La Voz”, gravado em 1975. Por meu turno, acho que este LP, “De Ti Depende (It’s Up To You)”, segundo disco-solo de El Cantante de Los Cantantes, gravado para a Fania Records em 1976, foi o melhor de todos.

Se em “La Voz”, Hector contou com uma orquestra de estúdio composta por músicos convidados (como Nicky Marrero, Ray Maldonado, Joe Santiago e o brasileiro José Rodrigues), em “De Tí Depende” Hector Lavoe apresentava a sua nova orquestra, herdeira direta da antiga banda de Willie Colón, com a sua base formada por Joe Torres, Santi Gonzalez, Milton Cardona e José Mangual Jr. Apresentava também uma sonoridade bastante original, suprimindo os timbales e com uma seção de metais formada por um ou dois trompetes e dois trombones.

Hector Lavoe estava no auge da sua forma vocal e criatividade. Por isso mesmo, os soneos deste disco são simplesmente impecáveis, como nos temas ‘Vamos a Reír Un Poco’ e ‘Hacha y Machete’. É também neste disco onde Willie Colón, trabalhando como produtor, põe em prática alguns novos conceitos que depois se tornariam quase uma regra na Salsa durante os anos seguintes. O mais significativo foi a adição de uma seção de cordas acompanhando a orquestra em estúdio. O tema em questão é ‘Periodico De Ayer’. O intermezzo entre uma e outra série de soneos deu uma dramaticidade ainda maior à letra, além de dar um ar clássico à Salsa. O sucesso foi tanto que uma boa parte das gravações da Fania aderiu à essa novidade. A chamada “Salsa sinfónica” se tornou marca registrada dos discos da Fania All Stars na segunda metade dos anos 70, e foi retomada na década de 90 por Gilberto Santa Rosa.

O disco começa com um dos meus temas favoritos: ‘Vamos a Reír Un Poco’. O segundo tema é o que dá título ao disco, ‘De Tí Depende’, um belíssimo bolero onde se destaca o solo de guitarra de Yomo Toro. Depois, é a vez de 'Periodico De Ayer', composição de Tite Curet Alonso (recentemente falecido), um dos maiores clássicos da Salsa em todos os tempos. O lado A encerra com ‘Consejo De Oro’. Para continuar, abre o lado B o tema ‘Tanto Como Ayer’. O sexto tema é também um dos hinos da Salsa e dos salseros, ‘Hacha y Machete’. O penúltimo tema é ‘Felices Horas’, encerrando com uma nova versão do clássico cubano ‘Mentira’.

Músicos: Hector Lavoe (voz e maracas), Profesor Joe Torres (piano), Milton Cardona (congas e percussão menor), José Mangual Jr (bongo e percussão menor), Yomo Toro (violão), Santi Gonzalez (baixo), Ray Feliciano (trompete), Harry De Aguiar e Angel Papo Vasquez (trombones), Willie Colón e Ruben Blades (coros). Produtores: Willie Colón e Jerry Masucci. Gravado em Nova York.

 

"MASTER TIMBALERO" - TITO PUENTE and his Latin Jazz All Stars

 

 

Este CD, gravado em 1993 e lançado em 1994 pela gravadora Concord Jazz é, na minha opinião, um dos melhores discos de Tito Puente em toda a sua longa carreira. A partir de seu disco anterior, "Royal 'T'", Tito passou a retomar o som característico de sua grande orquestra. Como todo disco de Tito Puente, é marcante a escolha criteriosa dos arranjadores e músicos, bem como o próprio repertório em si. Gosto particularmente de três temas: Old Arrival, Enchantment e Nostalgia In Tmes Square. Músicos: Tito Puente (timbales, vibrafone e marimba), José Madera (congas), Johnny Rodríguez e José "Papo" Rodríguez (bongos), Ray Vega e Ite Jerez (trompetes), Sam Burtis e Jeff Cressman (trombones), Mario Rivera (flauta e sax soprano e tenor), Bobby Porcelli (sax soprano, alto e barítono), Michael Turre (sax barítono), Sonny Bravo (piano) e Bobby Rodríguez (baixo). Temas e arranjadores: "Old Arrival" (arr. Hilton Ruiz), "Enchantment" (arr. Sonny Bravo), "Sakura Sakura" (arr. Paquito Pastor), "Azu Ki Ki" (arr. Tito Puente e José Madera), "Espresso Por Favor" (arr. Gil Lopez), "Nostalgia In Times Square" (arr. Sam Burtis), "Chow Mein" (arr. Louie Ramírez), "Creme De Menthe" (arr. Brian Murphy), "Sun Goddess" (arr. Charlie Orwell), "Vaya Puente" (arr. Tito Puente e José Madera), "Master Timbalero" (arr. Tito Puente), "Bloomdido" (arr. Michael Turre). "MASTER TIMBALERO" foi gravado na Coast Recorders, San Francisco, em 20 e 21 de setembro de 1993. Produzido por Carl E. Jefferson, John Burk e Tito Puente. Considero este disco como ideal para quem quer conhecer tanto o trabalho de Tito Puente, como também para uma iniciação ao Jazz Latino.

 

 

 

"VA A LA CÁRCEL, vols. 1 e 2" – BOBBY VALENTÍN y su orquesta

 

                                                                                                                                                                                                

1975 foi um ano de ouro para a Salsa. Alguns dos melhores discos de todos os tempos foram lançados neste ano: O primeiro disco solo de Hector Lavoe, “La Voz” (Fania), os progressivos “The Good, The Bad And The Ugly” (Fania), com Willie Colón, Hector Lavoe e Ruben Blades, e “There Goes The Neighborhood (Se Chavó El Vecindário)” (Vaya), com Willie Colón e Mon Rivera, “Barretto” (Fania), do mestre Ray Barretto, com Ruben Blades e Tito Gómez nos vocais, os históricos “Live At Yankee Stadium, vols. 1 e 2” (Fania), da Fania All Stars, “Unfinished Masperpiece” (Tico), do mestre Eddie Palmieri, com Lalo Rodríguez nos vocais e, finalmente, “Concepts In Unity” (Salsoul), do Grupo Folklorico y Experimental Nuevayorkino. A gravação que vamos analisar aqui, também da safra ’75 da Salsa, chama a atenção por três motivos: O primeiro, foi o local da gravação: ao vivo, na penitenciária estatal de Porto Rico (El Oso Blanco). O segundo, é que os dois volumes marcam o nascimento da gravadora Bronco Records, de propriedade de Bobby Valentín, a princípio uma subsidiária da Fania, mas já independente ao final da década. O terceiro: a música, simplesmente impecável, onde o legendário baixista e sua orquestra, além dos seus dois melhores soneros, Marvin Santiago e Frankie Hernández (recentemente falecido) executaram um repertório brilhante de Salsa e Jazz Latino, com direito a toda gama de improvisação que a Salsa de verdade e o Jazz permitem. Destaque para algumas faixas: do volume 1, “Préstame Tu Caballo”, na voz de Marvin Santiago e “Dos Soneros”, um mano-a-mano entre Santiago e Hernández. Do volume 2, destaque para “Carmezon”, “Como Fue” (onde um preso subiu ao palco e cantou em dueto com Marvin Santiago) e “Poem”. Os arranjos e a produção estiveram a cargo de Bobby Valentín.  Músicos: Bobby Valentín (líder, baixo), Juancito Torres e Augustin “Augie” Antomattei (trompetes), James Adames (trombone), Justino Pérez (sax tenor), Alfredo Falu (sax barítono), Oscar Colón (timbales), William Thompson (congas), Hector Faberlle (bongos) e Edwin Rodríguez (piano). Convidados especiais: Barry Rogers (trombone) e Tony Sanchez (bateria). Vocalistas: Marvin Santiago e Frankie Hernández. Coros: Paquito Guzmán e Elliot Romero. Músicas – CD 1: “Préstame Tu Caballo”, “Dos Soneros”, “Cuando Serás Mia”, “A Panamá” e “Maiden Voyage” (um delicioso corte de jazz latino, com mais de 11 minutos de duração). CD 2: “Carmezon”, “El Jamón”, “Cómo Fue”, “No Juegues Con Candela”, “Poem”, “Tú No Haces Ná” e “Sepárala”. Engenheiro de gravação: Tex Starwy. Design da capa: Jorge Millet. Fotos: Kury Díaz.

 

“EL JUICIO”  - WILLIE COLÓN y HECTOR LAVOE

Este é um disco especial para mim, pois trata-se do meu primeiro disco de Salsa. Além do mais, retrata bem a chamada “Salsa estilo New York”, com o som que marcou a primeira fase da carreira de Willie Colón, e sua parceria com Hector Lavoe. Os trombones mais agressivos, os arranjos mais cruéis, e o melhor sonero de sua geração: esta é uma gravação histórica em todos os sentidos. Um dos discos mais vendidos da história da Salsa. O disco, gravado em 1972 pela Fania Records, começa com uma mistura de Salsa e ritmos africanos, de autoria de Willie, chamada “Ah-Ah/O-No”. O segundo número é um clássico da Salsa Dura: “Piraña”, de autoria do mestre Tite Curet Alonso. A terceira faixa é um bolero, com toda a carga dramática dos trombones de Willie Colón e Eric Matos, intitulado “Seguiré Sin Ti”. A quarta faixa é a minha predileta, também de autoria de Colón: “Timbalero”, com Hector sobressaindo-se nos soneos, Milton Cardona castigando nas congas, e o solo de timbales de Louis Romero. O lado B começa com uma volta às origens africanas da música latina, num número escrito por Colón e Lavoe, chamado “Aguanile”. O sexto número começa com um bolero rítmico e termina com uma danza porto-riquenha. Título: “Soñando Despierto”. A sétima faixa é uma mescla de Salsa e Samba (de fato, pode-se creditar à Willie o feito de introduzir as sonoridades brasileiras na Salsa), chamada “Si La Ves”. E a última faixa é uma linda peça instrumental intitulada “Pan y Água (Bread and Water)”, com um grande solo de piano por parte do “Profesor” Joe Torres e um tremendo solo de trombone por parte de Willie. Músicos: Willie Colón (líder, 1o. Trombone), Eric Matos (2º. Trombone), Hector Lavoe (cantor, maracas), “Profesor” Joe Torres (piano), Santi González (baixo), Louis “Timbalito” Romero (timbales), Milton Cardona (congas) e Jose Mangual Jr (bongos). Produtores: Willie Colón e Jerry Masucci. Diretor de gravação: Johnny Pacheco. Engenheiro de gravação: Irv Greembaum. Estúdios: Good Vibrations, NYC. Conceito da capa: Izzy Sanabria.

Aliás, o conceito da capa merece um comentário à parte: durante a época em que esteve com Hector Lavoe, Willie sempre manteve a imagem de mafioso (de fato o disco anterior era intitulado “Cosa Nuestra”), chegando até mesmo a apresentar-se na TV porto-riquenha, vestido em roupas de presidiário. Em seus discos anteriores, os dois eram sempre vistos cometendo algum ato ilícito (por exemplo, arrombando um cofre em “Guisando”), ou pelo menos suspeito. O nome do LP em português é “O Julgamento”. Na capa, Willie é julgado pelos seus próprios companheiros de gang, digo, de orquestra. O juiz é Johnny Pacheco e o escrivão é Jerry Masucci (simplesmente os donos da Fania).

 

“PUERTO RICO ALL STARS ‘76” – Puerto Rico All Stars

Existem grupos que mesmo com uma curta existência fazem história. É o caso desta orquestra, a Puerto Rico All Stars. Fundada em 1976 pelo empresário Franklin Gregory, e dirigida pelo trompetista Juancito Torres, tinha o objetivo explícito de rivalizar com Fania All Stars. A intenção, segundo Torres, era mostrar que não era apenas nos Estados Unidos que se podia fazer Salsa de qualidade, e que os músicos que viviam em Porto Rico, muitas vezes preteridos, eram tão bons quanto os que estavam em Nova York. De fato, a qualidade e a visão progressiva dos arranjos da Puerto Rico All Stars (que estiveram a cargo de virtuosos como o falecido Jorge Millet, Elias Lopes, Mario Ortiz e o próprio Juancito, entre outros) obrigaram a Fania All Stars a sofisticar os seus arranjos, na segunda metade dos anos 70. Este foi o primeiro disco da orquestra, que tinha a seguinte formação: Juancito Torres, Elias Lopes, Mario Ortiz e Augie Antomattei (trompetes); Julio Gunda Merced, Aldo Torres e Rafi Torres (trombones); Papo Lucca (piano); Polito Huertas (baixo); Tony Sanchez (bateria); Endel Dueño (timbales); Eladio Pérez (congas); Manolito González (bongos). Soneros: Andy Montañez, Paquito Guzmán, Luigi Texidor e Marvin Santiago. Músicas : “Intro P.R. All Stars”, “Changuiri”, “A Mi Manera”, “Budo”, “Reunion En La Cima”, “Los Tambores”, “Cachomba”, “Canto A Borinquen”. O LP foi gravado em San Juan, Porto Rico. Não há maiores detalhes na capa do disco, provavelmente produzido por Gunda Merced e Juancito Torres, e lançado pela Combo Records em 1976. A ironia nesta história é que algum tempo depois, membros de primeira hora da PRAS se tornaram membros efetivos da Fania All Stars, como Papo Lucca, Elias Lopes e Juancito Torres. O grupo passou por várias mudanças em sua formação, gravando mais dois LPs: “Los Profesionales” (1977) e “Tributo Al Mesías” (1978) - em homenagem a Eddie Palmieri -  dissolvendo-se em 1979. Na década de 90, houve uma tentativa de reviver o grupo por parte de Franklin Gregory e da gravadora RMM, mas sem sucesso.

 

DIZZY GILLESPIE Y MACHITO - "AFRO-CUBAN JAZZ MOODS"

Trata-se de um disco conceitual... talvez eu não o recomende para alguém que não seja devidamente familiarizado com o Jazz e com a Salsa. Definitivamente, é um disco para os que já são iniciados, que sabem que a música latina e o Jazz são propostas musicais muito próximas, idéia defendida e difundida por Dizzy Gillespie. Este LP, gravado em 1975, é considerado até hoje uma das obras mais vanguardistas da história da música latina, um verdadeiro item de colecionador. A concepção de "Afro-Cuban Jazz Moods" nasceu depois de um concerto em Nova York, onde estavam Dizzy, Machito e Chico O'Farrill. Após várias conversas, decidiram gravar em um disco as peças que foram tocadas no concerto: "Oro, Incienso y Mirra", uma rapsódia afro-cubana que ocupa todo o lado A do LP, com mais de 15 minutos de duração. A outra peça, que ocupa o Lado B é justamente a que dá título ao disco, "Three Afro-Cuban Jazz Moods", uma suíte em três movimentos: 'Calidoscopico', 'Pensativo' e 'Exuberante'. Todas as composições de autoria de Chico O'Farrill. O disco, originalmente lançado pelo selo Pablo, e atualmente distribuído pela OJC/Fantasy Jazz, foi gravado em 4 e 5 de junho de 1975, tendo Dizzy Gillespie como solista, acompanhado pela orquestra de Machito (reforçada por músicos de outras orquestras, como a de Tito Puente) regida por Chico O'Farrill. Este disco foi lançado no Brasil pela PolyGram em 1979. A novidade é que agora, em 2003, este CD foi relançado no Brasil pela série OJC - Fantasy Jazz. Ficha técnica - Solista: Dizzy Gillespie (trompete). Regência e arranjos: Chico O'Farrill. Líder: Machito. Trompetes e Flugelhorns: Victor Paz, Raul Gonzalez, Ramón Gonzalez Jr., Manny Duran. Trombones: Barry Morrow, Jack Jeffers, Lewis Khan, Jerry Chamberlain. Saxofones: Mario Bauza, Mauricio Smith, José Madera Sr., Leslie Yahonikan, Mario Rivera. Trompas: Brooks Tilotson, Don Corrado. Baixo: Carlos Castillo. Piano: Jorge Dalto. Seção rítimica: Julito Collazo, R. Hernandez, Machito, Mario Grillo, Papo Pepín, José Madera Jr., Mickey Roker. Sintetizador: Dana McCurdy.

 

RUBEN BLADES con Son Del Solar - "CAMINANDO"

Este é considerado um dos melhores discos da década passada. "Caminando" marca a estréia de Ruben Blades na Sony Music, em 1991. Seu grupo, o "Son Del Solar", na década de 80 havia passado incólume pela febre da "Salsa Romántica", com total liberdade para gravar o que quisesse na Elektra Records, e essa carta branca foi uma condição-chave para que Ruben mudasse de gravadora. Vale lembrar que a Sony Music nessa época abriu um selo chamado "Sony Tropical", e na esteira do sucesso do nicaragüense Luis Enrique, seu primeiro contratado, decidiu investir pesado na Salsa trazendo para o seu cast artistas como Ruben Blades, Willie Colón e Gilberto Santa Rosa. O disco trazia 10 faixas, que contemplavam desde a temática social ("Mientras Duerme La Ciudad" e "Prohibido Olvidar"), até uma homenagem aos orixás ("Obalue"). O sexteto "Son Del Solar" revolucionou a Salsa nos anos 80 ao adotar efetivamente a bateria e abolir os instrumentos de sopro. Contudo, a partir de "Caminando", Ruben adota dois trombones, remetendo ao tempo de sua parceria vitoriosa com Willie Colón. E com isso o som característico do grupo, além de progressivo, se tornou mais poderoso. O grande sucesso foi "Camaleón", um sabroso son montuno, que segundo as más línguas, e por mais que Mr. Blades negue (não adianta, bro, o videoclipe é bem explícito e os seus soneos aqui foram tão afiados quanto o punhal de Pedro Navaja), foi dedicada a um certo trombonista e cantor. Mas isso já uma outra história...

"Caminando" foi gravado em Nova York, e produzido por Ruben Blades. Não há nada no encarte da edição nacional (nem na edição venezuelana, em que me baseei para escrever esta resenha. De fato, parece que até na edição original norte-americana parte desses créditos foram omitidos) que indique os músicos participantes nessa gravação. Contudo, eis a ficha técnica - Músicos: Ruben Blades (guitarra, percussão e coros), Robbie Ameen (bateria), Ralph Irizarry (timbales), Eddie Montalvo (congas), Ray Colón (bongo), Porfírio Fernández (tambora e güiro), Mike Viñas (baixo), Oscar Hernández (piano e sintetizadores), Arturo Ortiz (sintetizadores), Angel "Papo" Vásquez e Reynaldo Jorge (trombones), Tito Allen (coros). Faixas: "Caminando", "Camaleón", "Mientras Duerme La Ciudad", "Ella Se Esconde", "Tengan Fe", "Obalue", "Prohibido Olvidar", "Cipriano Armenteros", "Él" e "Raíz De Sueños". Os arranjos estiveram à cargo de Oscar Hernández, Papo Vásquez, e Mike Viñas. Todos os temas foram escritos por Ruben Blades, à exceção de "Tengan Fe", de Angel Vásquez. Depois do disco seguinte, "Amor Y Control", o Son Del Solar se desliga de Ruben Blades e passa a gravar Jazz Latino, já com o nome "Seis Del Solar". Por seu turno, Ruben passa a gravar com músicos convidados em seus discos posteriores. E a partir do disco "Tiempos", Mr. Blades tem sido acompanhado pelo grupo Editus Ensemble, da Costa Rica.   

 

"EL REY" - TITO PUENTE and his Latin Ensemble

Respondam-me, senhoras e senhores, qual o limite entre o Jazz Latino e a Salsa? No caso desse LP de Tito Puente, gravado ao vivo em maio de 1984 no The Greater American Music Hall (San Francisco, CA), a resposta fica ainda mais difícil. Deliciosamente difícil...

Esse foi o segundo LP gravado por Tito Puente para o selo Picante da Concord Records. Depois do sucesso de "On Broadway", de 1982 (ganhador do Grammy), Tito organizou um grupo muito especial para este concerto, executando um tremendo repertório. Imagine esse verdadeiro "Dream Team" reunido: Tito Puente (timbales, vibrafone e vocais), Francisco Aguabella (congas), Jimmy Frisaura (trombone), Johnny Rodríguez (bongos, congas e vocais), Ray Gonzalez (trompete e flugelhorn), Jorge Dalto (piano), Jose Madera (congas e timbales), Mario Rivera (flauta e sax) e Bobby Rodríguez (baixo). Quando você compra um CD de Tito Puente, espera escutar grandes solos de timbales e a qualidade dos arranjos, certo? Então, pode encomendar este aqui de olhos fechados, porque todos os músicos presentes estiveram impecáveis, neste histórico concerto. Temas: "Oye Como Va", "Autumn Leaves", "Ran Kan Kan", "Rainfall", "Giant Steps", "Linda Chicana", "Stella By Starlight", "Tú, Mi Delírio", "Equinox" e "El Rey Del Timbal". O disco foi produzido por Tito Puente e Carl E. Jefferson. Arranjos de Tito Puente e Jose Madera.

 

"SIEMBRA" - Willie Colón y Ruben Blades

Finalmente, atendendo a pedidos, trago para vocês uma resenha sobre o clássico que completou 25 anos de sucesso: “Siembra” (Fania Records, 1978), de Willie Colón e Ruben Blades.

Mas antes de falar no LP em si, façamos uma breve viagem no tempo, para o ano de 1975. Nesse ano, cheio de produções históricas como “Barretto” (Ray Barretto), “La Voz” (Hector Lavoe) e “Bobby Valentin Va a La Cárcel” (Bobby Valentin), Willie Colón estava em processo de mudança musical. Decidido a novas experimentações, neste mesmo ano, além de gravar uma sessão de bomba e plena com Mon Rivera (“Se Chavó El Vecindario”), estreou oficialmente como cantor no disco “The Good, The Bad and The Ugly”, junto com Hector Lavoe e um promissor cantante panamenho chamado Ruben Blades.

Justiça seja feita, Ruben já gozava de uma certa fama como compositor e havia trabalhado no LP “Barretto”, junto com Tito Gómez. Passado o ano de 1976, depois do sucesso de “The Good, The Bad and The Ugly”, a cena era essa: Ray Barretto tinha acabado com a sua orquestra de Salsa, saído da Fania, e estava gravando Jazz para a Atlantic. Hector Lavoe estava com sua carreira solo consolidada, Ruben Blades sem banda e Willie Colón sem cantor. Johnny Pacheco e Jerry Masucci propõem então que Willie e Ruben gravem juntos. A idéia, a princípio, não agradou muito a Willie porque Ruben, que nunca escondeu que Cheo Feliciano foi sua grande influência, tinha um timbre de voz muito parecido a deste grande sonero. Tanto, que muita gente não o perdoava por isso, acusando-o de simples imitador de Cheo. Mas afinal, a amizade de Pacheco e Masucci venceu a resistência de Willie, que passou o ano de 1976 trabalhando em seu novo projeto, agora com Ruben Blades.

Não foi fácil. Willie teve que adequar a voz de Ruben para a sua orquestra, fazendo com que este adquirisse identidade própria como cantor, e ao mesmo tempo, adequou o som da orquestra para a voz de Ruben Blades, expandindo de dois para quatro trombones o naipe de metais, o que ficou conhecido como “El sonido elegante de Willie Colón”. E em 1977, sai o LP “Metiendo Mano: Willie Colón presents Ruben Blades”. O disco foi um sucesso, abrindo as portas para Ruben Blades, que então passou a atuar com mais destaque na Fania All Stars, e como convidado de diversos artistas, como por exemplo no ótimo disco “Louie Ramírez & Friends”, cantando a belíssima “Paula C.”.

Depois de “Metiendo Mano”, Willie e Ruben entraram no estúdio Good Vibrations, em Nova York, para gravar “Siembra”, aproveitando ainda mais os dotes de Ruben Blades como compositor, lançando as bases da “Salsa Social”. O resultado foi melhor do que se esperava...

Não é à toa que Siembra, de Willie Colón e Ruben Blades, é considerado o melhor disco de Salsa de todos os tempos e também o mais vendido. Não há uma só faixa que não seja uma obra prima. Se considerarmos que temos aqui o maior compositor da Salsa em todos os tempos, combinando com o talento de um dos melhores arranjadores, respaldados por alguns dos melhores músicos de Nova York, o resultado não poderia ser outra coisa, senão um best-seller. A crítica de 'Plástico', o leve duplo sentido de 'Buscando Guayaba', a crônica de 'Pedro Navaja', a homenagem à Venezuela em 'María Lionza', a poesia de 'Ojos', a melancolia de 'Dime', culminando com a politicamente engajada 'Siembra'.

Os trombones agressivos de Lewis Khan, Leopoldo Pineda, José Rodrigues e Sam Burtis, o piano tranqüilo de Professor Joe Torres, o baixo sinuoso de Eddie Rivera, as congas ágeis de Eddie Montalvo, os timbales pesados de Jimmy Delgado, a bateria precisa de Bryan Brake, as alegres maracas de Al Santiago, e os coros afinados de Adalberto Santiago, Jose Mangual Jr. e Willie Colón, que produziu esse petardo salsero,ganhando nos Estados Unidos discos de ouro e platina. Esse disco não é discografia básica, é discografia obrigatória. E que os bons sons os acompanhem!

 

"ACID" - RAY BARRETTO

Psicodelismo latino. É assim que se pode definir o LP "Acid", de Ray Barretto, o primeiro gravado para a Fania Records, em 1967. Sons que até hoje não perderam o seu caráter progressivo, definindo novas tendências na música latina. Não se trata de um disco completo de Salsa, mas também de boogaloo e ritmos tradicionais cubanos, que Barretto sempre soube dominar muito bem.

Depois de contratar músicos novos para o seu elenco, tais como Larry Harlow, Bobby Valentin e Willie Colón, a Fania partiu para ações mais ousadas, dessa vez contratando músicos com um nome já estabelecido na cena salsera de Nova York. E para isso, ninguém melhor do que Ray Barretto, que até então gravara para a divisão latina da United Artists e para a Tico Records, maior gravadora latina da época. Nesta sua nova casa, Barreto resolveu mudar por completo o estilo de sua orquestra, dissolvendo a sua "Charanga Moderna", que incluía violinos e trombone, para optar por uma formação a la Sonora Matancera, com apenas dois trompetes no naipe de metais, set de percussão completo e sem o tres cubano. Não demorou muito para que Ray Barretto se tornasse um dos recordistas de venda do selo Fania, junto com Johnny Pacheco.

Os temas que mais gosto nesse disco são "El Nuevo Barretto", que expressava bem essa mudança de sonoridade, "A Deeper Shade Of Soul" e "The Soul Drummers", dois boogaloos cantados em inglês e com muito sabor latino, "Acid" e "Espíritu Libre", duas tremendas descargas (jam sessions). Completam o disco os números "Teacher Of Love", "Mercy, Mercy, Baby" e "Sola Te Dejaré". A produção esteve a cargo de Jerry Masucci e Harvey Averne. Músicos: Ray Barretto (líder, congas), Orestes Vilató (timbales), Big Daddy (baixo), Louis Cruz (piano), Roberto Rodríguez e René Lopez (trompetes), Pete Bonet (vocais em inglês) e Adalberto Santiago (vocais em espanhol e cencerro). Uma curiosidade: o baixista Big Daddy é na verdade o legendário Bobby Rodríguez (falecido em 2002). Ocorre que para essa época, Bobby era músico contratado de Tito Puente, e não poderia figurar em outras gravações que não as do "Rey De Los Timbales". Então, para burlar tal contrato, Bobby Rodríguez saiu-se com esse peculiar pseudônimo. E antes que você me pergunte: Mas Bernardo, esse "Acid" aí do título tem a ver com aquele acidozinho que fez a cabeça de muita gente em décadas passadas? Eu respondo: Olhe para a capa, e tire as suas próprias conclusões... :-))

  

(c) 1998-2005, Bernardo Vieira S., Jr.