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EDITORIAL

ENCONTROS SALSEROS

Damas y Caballeros,

Neste editorial quero expressar a minha alegria por tudo o que este site já conquistou, principalmente a credibilidade por parte do público internauta salsero, tanto no Brasil como no exterior. Por isso, é um prazer para mim, encontrar com os leitores do Salsa Brasil e firmar cada vez mais amizades ao redor do mundo.

Venho a relatar-lhes então os encontros que tive em janeiro de 2005, com leitores de Porto Rico e da Argentina.

No dia 5 de Janeiro de 2005, aproveitando enquanto passava as festas de Natal e Ano Novo com a minha namorada e a minha família em Niterói (RJ), me encontrei com o jornalista, radialista e produtor Naphis Torres, que apresenta o programa “Brasil Musical” pela radio WIPR de San Juan, através dos canais Allegro 91.3 FM e 940 AM.

Naphis Torres é um exímio conhecedor de música brasileira, e eu, particulamente, duvido que hajam tantos brasileiros, jornalistas especializados inclusive, que entendam tanto de música brasileira como o Naphis entende. Tivemos um almoço memorável, onde ele me contou muitas histórias interessantes sobre a música brasileira e seus encontros com alguns dos grandes mestres da MPB, tais como João Donato e Tom Jobim, só para citar dois exemplos. Conversamos também sobre o atual cenário salsero de Porto Rico, o avanço do Reggaeton e as perspectivas para o futuro. Além do programa “Brasil Musical”, que ele apresenta desde 1979, que vai ao ar todos os domingos, Naphis mantém o site Brasil Musical, onde ele fala de suas influências musicais brasileiras.

Naphis Torres e Bernardo Vieira

No entanto, o mais importante de tudo isso é que consolidamos uma grande amizade pessoal, e uma parceria entre o Salsa Brasil e o Brasil Musical, que pode ser acessado no endereço http://www.brasilmusical.net/.

Para ouvir o programa Brasil Musical [domingos, às 14:30 horas (de Brasília)], bem como toda a programação das Rádios da WIPR, acesse:

             

No final de Janeiro, tive o prazer de receber aqui em Natal os meus amigos argentinos Christian Jodorcovsky e Marcelo Altamiranda, também leitores do Salsa Brasil. Salseros de carteirinha, os dois deram várias aulas de Salsa nos lugares onde passaram, embora modestamente não se considerem professores de dança. Mas a verdade é que durante uma semana nos divertimos muito, indo aos diversos lugares salseros da capital potiguar. Em Buenos Aires, eles são freqüentadores assíduos das discotecas “Azúcar Belgrano” e “Azúcar Abasto”. Depois de Natal, os dois foram para Salvador, passar o Carnaval em terras soteropolitanas. Un abrazo, mis panas!

Bernardo, Christian e Marcelo

Para conhecer um pouco mais sobre a Salsa na Argentina clique no endereço abaixo:

"Salsa en Argentina", por Patsy Gallo - http://www.salsapower.com/cities/argentina.htm

 

E O QUE É PIRATARIA NO MUNDO DA MÚSICA?

Pirataria, na indústria fonográfica, é o ato de lançar uma gravação sem o devido pagamento de direitos autorais e/ou sem a autorização do artista em questão. Por isso, temos basicamente, dois tipos de pirataria: o primeiro, que foi o caso do “Duelo Al Anochecer”, onde alguém gravou o concerto e o lançou no mercado, sem a autorização de ninguém, e sem o pagamento dos direitos autorais. O segundo, bem mais freqüente no caso do Brasil, é a simples falsificação dos CDs, que são lançados no mercado a preços bem mais em conta que o original. É o que aqui em Natal chamamos carinhosamente de CDs Genéricos...

Estou tocando neste assunto porque muitas pessoas tem enviado e-mails para mim, perguntando se converter arquivos em mp3 baixados da internet para CDs-R de uso pessoal constitui um ato de pirataria. E eu lhes respondo: Não. A legislação brasileira não é clara sobre o assunto. As duas modalidades acima citadas são previstas no código penal, mas gravar um CD-R para uso pessoal não é crime, nem contravenção. Se fosse assim, também ninguém poderia gravar fitas cassette, DATs  ou MDs. Nos Estados Unidos, por exemplo, o caso é mais simples: no preço do CD-R está incluso um imposto, que reverte em favor de um fundo administrado por artistas. Ou seja, a pessoa paga o imposto e pode gravar o que quiser. Simples, não? No meu caso, eu tenho uma unidade gravadora de CDs no meu computador, e faço CDs com minhas próprias seleções. Não busco com isso obter lucros. Ao contrário, é a maneira que tenho de estar em dia com o que há de mais novo na música latina, uma vez que as nossas gravadoras, na sua míope visão, não lançam novidades por aqui.

DISCURSO HIPÓCRITA DAS GRAVADORAS - Sinceramente, acho que é hipócrita o discurso anti-pirataria da indústria fonográfica. Ainda há, na minha opinião, um tipo de “armação” ainda mais odiosa que a pirataria, que parte das próprias gravadoras: a coletânea ao vivo. Hoje em dia sai muito mais barato e menos arriscado, em meio a essa crise de criatividade em que nos encontramos, onde ninguém mais quer gravar algo novo, com medo de não receber a esperada "resposta de mercado", gravar coisas velhas e de popularidade já comprovada. No Brasil, você que me lê neste momento bem sabe, já não se lança mais nada novo: simplesmente discos “Ao Vivo” que não passam de meras coletâneas tipo “A Arte de Fulano”, “O Melhor de Sicrano” ou “Os Grandes Sucessos de Beltrano”... e para dar um certo charme à esse caça-níqueis de quinta categoria, agora também tem o famoso “Acústico”...

Não sou a favor da falsificação de CDs, mas acho que não dá pra falar em não comprar CD pirata num país onde o salário mínimo é de apenas 300 Reais. Francamente... Enquanto um CD genérico de um artista de sucesso custa no máximo 8 Reais, o original não custa menos de 20. E o pior, essa gente ainda tem a audácia de dizer que um CD não-oficial tem qualidade inferior, que danifica o aparelho... tudo falácia!!! Quem tem CD-R sabe muito bem que isso é mentira. Dependendo da marca do CD-R e dos programas utilizados, a qualidade do som fica até melhor... Como diria Tito Rojas: “NO RESPETAN!!!!” Se a indústria fonográfica quer realmente coibir a pirataria de CDs, que coloquem no mercado um produto mais barato, de qualidade, que não subestime a inteligência do ouvinte com as suas armações... Estou farto das “modas”, quero ouvir música de verdade, feita por músicos de talento. E tenho dito!

 

De qualquer forma, fica aqui o apelo: nenhum de nós faz "pirataria" porque quer, simplesmente. Fazemos isso porque não temos acesso aos novos lançamentos. Contudo, se um CD que é do seu agrado for lançado em edição nacional, compre o oficial. Ajude a mostrar para as gravadoras que a Salsa tem mercado no nosso país. E reiteramos o nosso pedido às gravadoras. A Sony e a Universal, por exemplo, têm nas suas matrizes americanas alguns dos mais consagrados artistas salseros da atualidade. Então, por que não lançá-los por aqui? Já as gravadoras pequenas podem muito bem editar por aqui os ótimos CDs que são lançados no exterior pelas gravadoras independentes especializadas em música latina.

 

A TRAMA, SENHORES, A TRAMA!!!

Há algum tempo atrás, Eu reclamava da pouca quantidade de discos de Salsa e Jazz Latino disponíveis no mercado. Parecia que a coisa estava começando a mudar, mas estancou novamente. A distribuição ainda está deficiente, e já é nem é mais possível encontrar os lançamentos de Tito Puente e Celia Cruz, pela série "Eu Levo a Vida Na Salsa" (Universal). Uma sugestão: o próximo lançamento poderia ser o CD "Masterpiece", de Tito Puente e Eddie Palmieri. Além de ser a última gravação de Tito, traz uma série de cantores convidados, como Oscar D'León, Pete ‘El Conde’ Rodríguez, Jerry Medina e Michael Stuart. A "Ressurreição" da tradicional música cubana também chegou às gravadoras brasileiras: depois da atitude pioneira da Velas, que já distribuía os discos da gravadora estatal cubana EGREM, agora a Warner está distribuindo os discos da World Circuit/Nonesuch, que lançou "Buena Vista Social Club". Agora já é possível encontrar nas lojas brasileiras, os discos de Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Afro-Cuban All Stars e Sierra Maestra. O último lançamento é "Mambo Sinuendo", com Ry Cooder e Manuel Galbán. Outra gravadora que está investindo na música latina é a Trama, que está distriubindo no Brasil os discos da Ryko Latino. Tive o prazer de encontrar numa loja há alguns dias os CDs "Salsa Dura", de Jimmy Bosch, e “Fusión Caribeña” da orquestra Truco & Zaperoko. Além destes, a Trama também lançou os CDs de José Alberto “El Canário”, do grupo Plena Libre e da série “Cubanismo”, do trompetista Jesús Alemañy. A Ryko Latino tem sido responsável nos EE.UU. por um movimento de resgate da Salsa tradicional. Foi preciso que aparecesse uma gravadora independente como a Trama, sem a visão viciada do “mercado”, para lançar discos tão bons. Sugiro que, por favor, lancem no Brasil o CD "Roberto Clemente: Un Tributo Musical", gravado em Porto Rico, com vários grandes cantores. Foi um dos melhores disco de Salsa que escutei nos últimos tempos. E por último: que a EMI, distribuidora da gravadora Blue Note no Brasil, lance uma edição nacional da trilha sonora do documentário “Calle 54”. Simplesmente uma aula de Jazz Latino.

 

CDs do grupo Plena Libre, lançados pela Ryko Latino.

Depois desses lançamentos todos, fica o alerta para as outras grandes gravadoras: Por que não editar no Brasil os discos lançados recentemente pelas matrizes norte-americanas? Gostaria muito de encontrar nas lojas brasileiras os novos CDs de Gilberto Santa Rosa, Oscar D'León, Ruben Blades, Tito Nieves, Tony Vega, Domingo Quiñones, entre outros. E por favor: nada de Elvis Crespo, Manny Manuel, Son By Four ou coisas do tipo. E finalmente: que a imprensa brasileira pare de uma vez por todas de dizer que Gloria Estefan e Ricky Martin cantam Salsa, ou pior: que são os reis da música latina...  

PIRATARIA QUE DEU CERTO

Meus amigos porto-riquenhos me contam, desde San Juan, que o disco de Salsa mais vendido de 2001 foi uma gravação pirata. Isso mesmo: Pirata. Tal façanha foi protagonizada pela gravação do concerto “Duelo Al Anochecer”, realizado no Anfiteatro Tito Puente, em setembro do ano passado. Este “Duelo” foi protagonizado por Domingo Quiñones, Cano Estremera, Lalo Rodríguez e José Alberto “El Canário”. Fulano gravou o concerto em DAT, Beltrano passou pra um CD-R e Sicrano passou a vender... Voilá!!! O disco, duplo, vendeu como água!!! Só que este feito me faz pensar na crise que a Salsa tem atravessado... Eu consegui “baixar” quase todo o CD através da Internet, e ainda que a música tenha sido boa, tenho que dizer que a gravação é extremamente pobre de recursos (os coros e alguns instrumentos quase não se escutam) e digamos assim... que os soneros cometeram alguns “excessos”... Lalo Rodríguez (que no Brasil se tornou conhecido por “Devórame Otra Vez”) foi extremamente fraco nos soneos, assim como José Alberto (ambos demonstraram pouco poder de improvisação). Cano Estremera, também conhecido como “El Dueño Del Soneo” acabou perdendo no final para Domingo Quiñones, vítima de sua própria agressividade. E Quiñones soube se aproveitar disso, sendo aclamado pela audiência. Pois é, quando chegamos ao ponto de um disco pirata suplantar toda uma série de lançamentos das multinacionais, é um caso para se pensar: Será que o público salsero já não está cansado de ser manipulado pela indústria fonográfica (como também acontece aqui no Brasil com essas “modas”, leia-se axé e pagode) e quer Salsa de verdade? Será que já não está cansado de sujeitos com pinta de modelo, que são incapazes de improvisar nem que seja um pouco? Meu amigo Tommy Muriel, articulista do Oasis Salsero chama este tipo de Salsa como “Salsa De Escritório”... e ele está certíssimo...

(c) 1998-2005, Bernardo Vieira S., Jr.