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LOS GRANDES DE LA SALSA Y DEL JAZZ LATINO - parte 2 - Arquivos
ARTURO SANDOVAL – Da Salsa à Música Clássica, um músico multifacetado.

Nascido
na cidade de Artemisa, em Cuba, a 6 de novembro de 1949, Arturo Sandoval,
trompetista, pianista, compositor, produtor e até mesmo timbalero, se tornou um dos mais bem
sucedidos músicos de sua geração.
Em
1981, Sandoval abandonou formalmente o Irakere para formar seu próprio grupo.
Em
1990, deixou Cuba de maneira definitiva e se exilou nos Estados Unidos. Desde
então, tem transitado entre o Jazz e a Salsa e incursionado até mesmo pela música
clássica, gravando e se apresentando com os grandes jazzistas americanos e os grandes salseros,
como Oscar D’León e Celia Cruz.
Atualmente,
Arturo Sandoval, além de uma extensa agenda de concertos e festivais, é
professor de Música numa universidade em Miami, onde mora com sua família.
No ano de 2001, sua biografia foi filmada pela rede HBO, com Andy Garcia no papel principal.

Em tempo: quem viu Andy Garcia tocando congas com Richie Flores no documentário "Cachao: Como Su Ritmo No Hay Dos" chega à conclusão de que como percussionista, ele é um grande... um grande... um grande... Mas afinal de contas, o que Andy Garcia é mesmo, hein???
LALO RODRÍGUEZ
– Ou como é que um artista, em busca do dinheiro fácil, entra em franca
decadência...
Seria muito fácil chegar
aqui, falar bem de todo mundo, e dizer que tudo o que foi feito dentro do
movimento da Salsa até hoje foi perfeito. Só que, como em todo estilo musical,
existe o sublime e o que pode ser esquecido. Durante a década de 80, a Salsa
atravessou um momento que, se comercialmente foi bastante interessante,
musicalmente falando foi um retrocesso. Estou me referindo à chamada “Salsa
Erótica”, popularizada por cantores como Eddie Santiago, Frankie Ruiz, e Lalo
Rodríguez, personagem da nossa história.
Ubaldo Rodríguez (o apelido Lalo foi dado por Eddie Palmieri) tinha tudo
para ser um dos
maiores soneros da Salsa na
atualidade. Ele
entrou, ainda adolescente, para a
orquestra de
Palmieri em meados da década de 70, substituindo Ismael Quintana. Logo de cara, grava com
Eddie Palmieri
dois discos clássicos da
Salsa:
“Unfinished Masterpiece” e “The Sun Of Latin
Music” (Coco
Records, e atualmente distribuído pela Musical Productions), ganhadores dos
dois primeiros Grammys de melhor
disco de Salsa (1975 e 1976). Depois de desentendimentos com o chefe, volta para Porto Rico,
onde se torna o
vocalista da orquestra de Tommy
Olivencia, junto
com Simon Pérez. Nesse meio-tempo, grava com a Puerto Rico All Stars (concorrendo
diretamente com a
Fania All Stars) dois LPs: “Los
Profesionales” e
“Tributo Al Mesías” (nesses discos todos
que citei, Lalo demonstrava uma agressividade
nos soneos que
impressionava). Volta para os Estados Unidos,
onde grava com a orquestra de Machito o LP "Fireworks". Em meados da década de 80, a chamada “Salsa Romântica”
ou “Salsa
Erótica” (também carinhosamente batizada por Willie Rosario de “Salsa Monga”) estava em seu auge, e
Lalo , que gravara
um ótimo disco em homenagem a
Rafael Cortijo e
Ismael Rivera, resolve aderir à nova moda, gravando pela TH-Rodven, sendo artista Top do selo,
junto com Frankie
Ruiz e Eddie Santiago. No disco “Un Nuevo
Despertar” lança ‘Devórame Otra Vez’, um sucesso absoluto que lhe rendeu discos de ouro e platina em
diversos países. Seu erro veio no segundo disco, intitulado
“Sexsacional”
(já notou a apelação? Isso sem contar os gestos que ele fazia no palco cada vez que cantava
Devórame...),
onde grava coisas ainda mais explícitas, assim
como a própria capa do disco. O LP não vendeu
o que se esperava,
e assim como Frankie Ruiz, Lalo
sucumbiu às
drogas,
chegando inclusive a ser preso. Quando saiu da prisão, a Salsa
Erótica já era
coisa do passado, e a sua fama, também.

Hoje, livre do vício, Lalo Rodríguez vive com a sua família em Orlando, Flórida, e está retomando aos poucos a sua carreira. Apresentou-se recentemente num concerto em San Juan, junto com Eddie Palmieri, sendo aclamado pelo público, ao cantar temas como ‘Óyelo que Te Conviene’ e ‘Un Día Bonito’.
RAY BARRETTO – Mestre Conguero.

Filho de porto-riquenhos, Raimundo Barreto nasceu em 29 de abril de 1929 no Brooklyn, em Nova York. Foi criado no Bronx e no Spanish Harlem, e ao mesmo tempo em que se familiarizou com as raízes da música afro-caribenha, foi envolvendo-se cada vez mais com o Jazz, durante a década de 40. Depois de servir ao exército norte-americano, e ter excursionado pela Europa no começo da década de 50, Ray Barretto profissionalizou-se em 1954, trabalhando primeiro com o pianista cubano Jose Curbelo. Dois anos depois, ingressou na orquestra de Tito Puente, em substituição a Mongo Santamaría. Em 1960, Barretto passou a tocar com Herbie Mann, formando sua banda, "La Charanga Moderna", quatro meses depois.
Barretto
também trabalhou e gravou como percussionista convidado de vários jazzistas
como Red Garland, Gene Ammons, Lou Donaldson, Cannonball Adderley, Dizzy
Gillespie, Freddie Hubbard, entre outros. O seu primeiro grande sucesso à
frente de seu grupo foi “El Watusi”, em 1963. De 1960 até hoje, Ray
Barretto é sinônimo de som progressivo na Salsa e no Jazz Latino. Até fins da
década de 60, Ray Barretto liderou um grupo calcado na sonoridade das charangas
cubanas, mas adicionando um set de metais que o diferenciava, daí o nome
“Charanga Moderna”. Até então, Barretto gravara para a Tico Records e
United Artists.
Quando
Ray foi contratado pela Fania Records, dissolveu a charanga e montou uma
orquestra baseada somente nos metais, tendo como destaque o trompetista cubano
Roberto Rodríguez e o timbalero Orestes Vilató. Sua orquestra sempre foi uma
das mais duras, com um pé na tradição cubana e outro nas estruturas mais
complexas do Jazz. Grandes músicos e soneros o acompanharam: Eddie Martínez,
Bobby Valentín, Luis Cruz, Bobby Rodríguez, Tito Gómez, Tito Allen, Ruben
Blades, Pete Bonet, Adalberto Santiago, entre outros.
Depois de fazer parte da Fania All Stars, e com o desmembramento de sua orquestra, Barretto retirou-se da Salsa, gravando Jazz entre 1976 e 1978 para a Atlantic Records, voltando de maneira triunfal à Fania em 1979, com “Rican Struction”, um dos melhores discos de Salsa de todos os tempos. Em 1992, forma o grupo “New World Spirit”, com quem grava até hoje, além de eventuais concertos com a Fania All Stars.



Na minha opinião, os dois melhores congueros da história da música latina são justamente Ray Barretto e Mongo Santamaría. E entre os dois, ainda me gusta más o estilo e a força de Ray Barretto. É interessante como o som da orquestra de Mr. Hards Hands é tão característico, a ponto de se distinguir de qualquer outro grupo. Você escuta os primeiros acordes e o andamento, e já sabe que ali é a orquestra de Ray Barretto que está tocando. Isso na Salsa. Já no jazz a coisa não é diferente, a New World Spirit também tem uma sonoridade que é só sua, sem paralelo algum com qualquer outro grupo de jazz latino. Eu tenho algumas gravações de Ray Barretto com Horace Parlan, Wes Montgomery e principalmente com Red Garland que são verdadeiras aulas de como tocar Congas. Que me desculpem os fãs de Candido Camero, Carlos "Patato" Valdés, Poncho Sanchez, Giovanni Hidalgo e outros tantos grandes congueros, mas todos eles têm que render tributo a Mr. Barretto.

E para terminar, deixo
aqui algumas palavras do próprio Ray Barretto, quando define a união da música
negra afro-americana com a afro-caribenha:
"Pienso que la
guajira y el blues están unidos por lazos poderosos. Son el fruto de los
trabajadores, de los que cortan la caña en Cuba y en Puerto Rico, o de los que
recogen el algodón en el sur de los Estados Unidos. La música, en definitiva,
es el reflejo de esa gente, y ella más bella cuando nace del pueblo".
PUERTO RICAN POWER - Salsa Dura e Bom Humor.
Por
mais de 30 anos a orquestra Puerto Rican Power tem mantido-se fiel à sua
filosofia de brindar Salsa Dura aos bailadores de todo o mundo. O trompetista
Luisito Ayala é o seu diretor musical desde 1973. A Puerto Rican Power foi
fundada em 1970 por Jesús Castro, que deixou a carreira musical em nome da sua
vocação pela medicina. Fundamentada em fartas doses de folclore
porto-riquenho, esta orquestra soube, como poucas, combinar melodia e ritmo,
permeados com toques de humor.
Em
1983, ocorreu o acontecimento-chave para a consolidação, bem como para a
popularidade, da orquestra de uma vez por todas: o ingresso em suas fileiras do
cantor Tito Rojas. É
o próprio Luisito quem conta: "Tito
había hecho algunas producciones sin el éxito esperado, por tal motivo, él
necesitaba una buena orquesta y la Puerto Rican Power un buen cantante de
impacto". De
fato, Tito Rojas havia herdado de Justo Betancourt o Conjunto Borincuba, do qual
era corista, em 1980. “El Gallo Salsero” então rebatizou o grupo como
“Tito Rojas y el Conjunto Borincano”, gravando para o selo Rana Records, com
vendas aquém do esperado. Por outro lado, a Puerto Rican Power era apenas uma
orquestra de acompanhamento, e não tinha um cantor fixo que pudesse identificá-la.
Quando
a Puerto Rican Power assinou com a gravadora Musical Productions, em fins da década
de 80, Tito Rojas recebeu o convite para voltar a ser solista. Era o momento
oportuno, pois Tito havia recuperado a popularidade, e a Puerto Rican Power já
estava com um nome consolidado em Porto Rico. Para esta nova etapa, a orquestra
passou a contar com três vocalistas: Osvaldo Román, Joselo Gerena e Luisito
Ayala Jr.
Luisito
Ayala, em suas entrevistas, reafirma as suas grandes influências: as orquestras
de Richie Ray e Larry Harlow. Essa influência é bem presente, e faz-se sentir
claramente na seção de metais da banda.
GRUPO IRAKERE - Tradição e modernidade
Formado
em 1973, o grupo Irakere rapidamente soube impor a sua peculiar mescla de Jazz
latino com tradicionais ritmos afro-cubanos. Herdeiro da Orquesta Cubana de Música
Moderna, formada na década de 60, graças a visão progressiva do pianista Jesús
"Chucho" Valdés (filho do não menos famoso band-leader Bebo
Valdés), o grupo Irakere reuniu um time dos mais renomados músicos cubanos,
onde o virtuosismo de cada um deles permitiu as mais atrevidas inovações
instrumentais e as improvisações mais inspiradas.
Seus arranjos modernos revolucionaram o Jazz latino e a Salsa, com a utilização de muitos instrumentos elétricos aliados aos fundamentos do son e do guaguancó tradicionais. A isto se soma o talento de Chucho Valdés, altamente influenciado pelo bop de Thelonious Monk.
Duas figuras-chave dos primeiros anos do grupo atualmente vivem nos Estados Unidos: o saxofonista Paquito D'Rivera, que durante uma excursão à Europa em 1980 pediu asilo político a Espanha, indo para Nova York algum tempo depois. Outro músico que deixou o grupo para viver nos Estados Unidos foi o trompetista Arturo Sandoval, que formou seu próprio grupo em 1981, além de gravar e tocar com Dizzy Gillespie. Em 1990, Sandoval também pediu asilo aos Estados Unidos, e atualmente mora em Miami.
Em 1979, o grupo Irakere foi o responsável por uma mudança nas relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, ao ganhar o prêmio Grammy de melhor disco de Jazz. Desde então, músicos cubanos residentes na ilha também têm visitado os Estados Unidos, tais como a Orquesta Aragón e o grupo Los Papines. O Irakere teve várias formações, originando outras bandas que fariam muito sucesso posteriormente. Um exemplo é a NG La Banda, fundada pelo flautista e saxofonista José Luís Cortés. Além disso o Irakere gravou discos em diversos países, inclusive o Brasil, onde foi gravado pela Velas o excelente CD "Boleros Inesquecíveis", também agraciado com o Grammy. Tive o prazer de vê-los quando por aqui estiveram pela primeira vez, em 1987, tocando no Memorial Da América Latina, em São Paulo.
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