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Salsa Brasil apresenta...

 

LOS GRANDES DE LA SALSA Y DEL JAZZ LATINO - parte 2 - Arquivos

 

 

ARTURO SANDOVAL – Da Salsa à Música Clássica, um músico multifacetado.

 

 

Nascido na cidade de Artemisa, em Cuba, a 6 de novembro de 1949, Arturo Sandoval, trompetista, pianista, compositor, produtor e até mesmo timbalero, se tornou um dos mais bem sucedidos músicos de sua geração. Fundou, na década de 60 em Havana, junto com Chucho Valdés e Paquito D’Rivera a Orquesta Cubana de Música Moderna, que em 1973 se tornou o hoje mundialmente famoso grupo Irakere. Suas primeiras gravações solo datam de 1977, numa parceria com David Amram. 

Em 1981, Sandoval abandonou formalmente o Irakere para formar seu próprio grupo. A maior influência de Arturo Sandoval vem de Dizzy Gillespie, com quem tocou, viajou e aprendeu muito. Essa parceria rendeu grandes concertos em Cuba, Porto Rico, Estados Unidos e Inglaterra, onde Sandoval atuou na Dizzy Gillespie’s United Nations Orchestra. Um disco muito bom, exemplo maior da força do binômio Gillespie/Sandoval, é “To A Finland Station”, de 1982, gravado em Helsinki, durante uma excursão pela Europa, onde Dizzy e Arturo co-lideram um quinteto com mais três músicos finlandeses. Isso sim que é World Music...  

Em 1990, deixou Cuba de maneira definitiva e se exilou nos Estados Unidos. Desde então, tem transitado entre o Jazz e a Salsa e incursionado até mesmo pela música clássica, gravando e se apresentando com os grandes jazzistas americanos e os grandes salseros, como Oscar D’León e Celia Cruz. Em 1998, ganhou a cidadania americana. 

Atualmente, Arturo Sandoval, além de uma extensa agenda de concertos e festivais, é professor de Música numa universidade em Miami, onde mora com sua família.  

No ano de 2001, sua biografia foi filmada pela rede HBO, com Andy Garcia no papel principal.

 

 

Em tempo: quem viu Andy Garcia tocando congas com Richie Flores no documentário "Cachao: Como Su Ritmo No Hay Dos" chega à conclusão de que como percussionista, ele é um grande... um grande... um grande... Mas afinal de contas, o que Andy Garcia é mesmo, hein???

 

 

LALO RODRÍGUEZ – Ou como é que um artista, em busca do dinheiro fácil, entra em franca decadência...  

 

Seria muito fácil chegar aqui, falar bem de todo mundo, e dizer que tudo o que foi feito dentro do movimento da Salsa até hoje foi perfeito. Só que, como em todo estilo musical, existe o sublime e o que pode ser esquecido. Durante a década de 80, a Salsa atravessou um momento que, se comercialmente foi bastante interessante, musicalmente falando foi um retrocesso. Estou me referindo à chamada “Salsa Erótica”, popularizada por cantores como Eddie Santiago, Frankie Ruiz, e Lalo Rodríguez, personagem da nossa história.

Ubaldo Rodríguez (o apelido Lalo foi dado por Eddie Palmieri) tinha tudo para ser um dos maiores soneros da Salsa na atualidade. Ele entrou, ainda adolescente, para a orquestra de Palmieri em meados da década de 70, substituindo Ismael Quintana. Logo de cara, grava com Eddie Palmieri dois discos clássicos da Salsa: “Unfinished Masterpiece” e “The Sun Of Latin Music” (Coco Records, e atualmente distribuído pela Musical Productions), ganhadores dos dois primeiros Grammys de melhor disco de Salsa (1975 e 1976). Depois de desentendimentos com o chefe, volta para Porto Rico, onde se torna o vocalista da orquestra de Tommy Olivencia, junto com Simon Pérez. Nesse meio-tempo, grava com a Puerto Rico All Stars (concorrendo diretamente com a Fania All Stars) dois LPs: “Los Profesionales” e “Tributo Al Mesías” (nesses discos todos que citei, Lalo demonstrava uma agressividade nos soneos que impressionava). Volta para os Estados Unidos, onde grava com a orquestra de Machito o LP "Fireworks". Em meados da década de 80, a chamada “Salsa Romântica” ou “Salsa Erótica” (também carinhosamente batizada por Willie Rosario de “Salsa Monga”) estava em seu auge, e Lalo , que gravara um ótimo disco em homenagem a Rafael Cortijo e Ismael Rivera, resolve aderir à nova moda, gravando pela TH-Rodven, sendo artista Top do selo, junto com Frankie Ruiz e Eddie Santiago. No disco “Un Nuevo Despertar” lança ‘Devórame Otra Vez’, um sucesso absoluto que lhe rendeu discos de ouro e platina em diversos países. Seu erro veio no segundo disco, intitulado “Sexsacional” (já notou a apelação? Isso sem contar os gestos que ele fazia no palco cada vez que cantava Devórame...), onde grava coisas ainda mais explícitas, assim como a própria capa do disco. O LP não vendeu o que se esperava, e assim como Frankie Ruiz, Lalo sucumbiu às drogas, chegando inclusive a ser preso. Quando saiu da prisão, a Salsa Erótica já era coisa do passado, e a sua fama, também.  

 

 

Hoje, livre do vício, Lalo Rodríguez vive com a sua família em Orlando, Flórida, e está retomando aos poucos a sua carreira. Apresentou-se recentemente num concerto em San Juan, junto com Eddie Palmieri, sendo aclamado pelo público, ao cantar temas como ‘Óyelo que Te Conviene’ e ‘Un Día Bonito’.

 

RAY BARRETTO – Mestre Conguero.

Filho de porto-riquenhos, Raimundo Barreto nasceu em 29 de abril de 1929 no Brooklyn, em Nova York. Foi criado no Bronx e no Spanish Harlem, e ao mesmo tempo em que se familiarizou com as raízes da música afro-caribenha, foi envolvendo-se cada vez mais com o Jazz, durante a década de 40. Depois de servir ao exército norte-americano, e ter excursionado pela Europa no começo da década de 50, Ray Barretto profissionalizou-se em 1954, trabalhando primeiro com o pianista cubano Jose Curbelo. Dois anos depois, ingressou na orquestra de Tito Puente, em substituição a Mongo Santamaría. Em 1960, Barretto passou a tocar com Herbie Mann, formando sua banda, "La Charanga Moderna", quatro meses depois.

Barretto também trabalhou e gravou como percussionista convidado de vários jazzistas como Red Garland, Gene Ammons, Lou Donaldson, Cannonball Adderley, Dizzy Gillespie, Freddie Hubbard, entre outros. O seu primeiro grande sucesso à frente de seu grupo foi “El Watusi”, em 1963. De 1960 até hoje, Ray Barretto é sinônimo de som progressivo na Salsa e no Jazz Latino. Até fins da década de 60, Ray Barretto liderou um grupo calcado na sonoridade das charangas cubanas, mas adicionando um set de metais que o diferenciava, daí o nome “Charanga Moderna”. Até então, Barretto gravara para a Tico Records e United Artists.

Quando Ray foi contratado pela Fania Records, dissolveu a charanga e montou uma orquestra baseada somente nos metais, tendo como destaque o trompetista cubano Roberto Rodríguez e o timbalero Orestes Vilató. Sua orquestra sempre foi uma das mais duras, com um pé na tradição cubana e outro nas estruturas mais complexas do Jazz. Grandes músicos e soneros o acompanharam: Eddie Martínez, Bobby Valentín, Luis Cruz, Bobby Rodríguez, Tito Gómez, Tito Allen, Ruben Blades, Pete Bonet, Adalberto Santiago, entre outros.

Depois de fazer parte da Fania All Stars, e com o desmembramento de sua orquestra, Barretto retirou-se da Salsa, gravando Jazz entre 1976 e 1978 para a Atlantic Records, voltando de maneira triunfal à Fania em 1979, com “Rican Struction”, um dos melhores discos de Salsa de todos os tempos. Em 1992, forma o grupo “New World Spirit”, com quem grava até hoje, além de eventuais concertos com a Fania All Stars.

Na minha opinião, os dois melhores congueros da história da música latina são justamente Ray Barretto e Mongo Santamaría. E entre os dois, ainda me gusta más o estilo e a força de Ray Barretto. É interessante como o som da orquestra de Mr. Hards Hands é tão característico, a ponto de se distinguir de qualquer outro grupo. Você escuta os primeiros acordes e o andamento, e já sabe que ali é a orquestra de Ray Barretto que está tocando. Isso na Salsa. Já no jazz a coisa não é diferente, a New World Spirit também tem uma sonoridade que é só sua, sem paralelo algum com qualquer outro grupo de jazz latino. Eu tenho algumas gravações de Ray Barretto com Horace Parlan, Wes Montgomery e principalmente com Red Garland que são verdadeiras aulas de como tocar Congas. Que me desculpem os fãs de Candido Camero, Carlos "Patato" Valdés, Poncho Sanchez, Giovanni Hidalgo e outros tantos grandes congueros, mas todos eles têm que render tributo a Mr. Barretto.


E para terminar, deixo aqui algumas palavras do próprio Ray Barretto, quando define a união da música negra afro-americana com a afro-caribenha:
"Pienso que la guajira y el blues están unidos por lazos poderosos. Son el fruto de los trabajadores, de los que cortan la caña en Cuba y en Puerto Rico, o de los que recogen el algodón en el sur de los Estados Unidos. La música, en definitiva, es el reflejo de esa gente, y ella más bella cuando nace del pueblo".

 

PUERTO RICAN POWER - Salsa Dura e Bom Humor.

Por mais de 30 anos a orquestra Puerto Rican Power tem mantido-se fiel à sua filosofia de brindar Salsa Dura aos bailadores de todo o mundo. O trompetista Luisito Ayala é o seu diretor musical desde 1973. A Puerto Rican Power foi fundada em 1970 por Jesús Castro, que deixou a carreira musical em nome da sua vocação pela medicina. Fundamentada em fartas doses de folclore porto-riquenho, esta orquestra soube, como poucas, combinar melodia e ritmo, permeados com toques de humor. A partir de 1978, a Puerto Rican Power começou a adquirir notoriedade e reconhecimento popular graças às suas apresentações, acompanhando a alguns dos grandes intérpretes da Salsa, quando se apresentavam em San Juan: Hector Lavoe, Cheo Feliciano, Santos Colón, Ismael Miranda, Pete “El Conde” Rodríguez, Vitín Avilés, Tito Allen e Frankie Ruiz, entre outros.  

Em 1983, ocorreu o acontecimento-chave para a consolidação, bem como para a popularidade, da orquestra de uma vez por todas: o ingresso em suas fileiras do cantor Tito Rojas. É o próprio Luisito quem conta: "Tito había hecho algunas producciones sin el éxito esperado, por tal motivo, él necesitaba una buena orquesta y la Puerto Rican Power un buen cantante de impacto". De fato, Tito Rojas havia herdado de Justo Betancourt o Conjunto Borincuba, do qual era corista, em 1980. “El Gallo Salsero” então rebatizou o grupo como “Tito Rojas y el Conjunto Borincano”, gravando para o selo Rana Records, com vendas aquém do esperado. Por outro lado, a Puerto Rican Power era apenas uma orquestra de acompanhamento, e não tinha um cantor fixo que pudesse identificá-la. Quando a Puerto Rican Power assinou com a gravadora Musical Productions, em fins da década de 80, Tito Rojas recebeu o convite para voltar a ser solista. Era o momento oportuno, pois Tito havia recuperado a popularidade, e a Puerto Rican Power já estava com um nome consolidado em Porto Rico. Para esta nova etapa, a orquestra passou a contar com três vocalistas: Osvaldo Román, Joselo Gerena e Luisito Ayala Jr.  

Luisito Ayala, em suas entrevistas, reafirma as suas grandes influências: as orquestras de Richie Ray e Larry Harlow. Essa influência é bem presente, e faz-se sentir claramente na seção de metais da banda. Além do que, Luisito tocou em diversas orquestras, como a de Willie Rosario. Desde o começo da década de 90, após a saída de Tito Rojas, a Puerto Rican Power tem se apresentado com regularidade nos Estados Unidos, bem como em vários países da América Latina e da Europa. Atualmente está gravando para a gravadora JyN Records, e promovendo o CD "Salsa Another Day".  

 

GRUPO IRAKERE - Tradição e modernidade

Formado em 1973, o grupo Irakere rapidamente soube impor a sua peculiar mescla de Jazz latino com tradicionais ritmos afro-cubanos. Herdeiro da Orquesta Cubana de Música Moderna, formada na década de 60, graças a visão progressiva do pianista Jesús "Chucho" Valdés (filho do não menos famoso band-leader Bebo Valdés), o grupo Irakere reuniu um time dos mais renomados músicos cubanos, onde o virtuosismo de cada um deles permitiu as mais atrevidas inovações instrumentais e as improvisações mais inspiradas.

Seus arranjos modernos revolucionaram o Jazz latino e a Salsa, com a utilização de muitos instrumentos elétricos aliados aos fundamentos do son e do guaguancó tradicionais. A isto se soma o talento de Chucho Valdés, altamente influenciado pelo bop de Thelonious Monk.

Duas figuras-chave dos primeiros anos do grupo atualmente vivem nos Estados Unidos: o saxofonista Paquito D'Rivera, que durante uma excursão à Europa em 1980 pediu asilo político a Espanha, indo para Nova York algum tempo depois. Outro músico que deixou o grupo para viver nos Estados Unidos foi o trompetista Arturo Sandoval, que formou seu próprio grupo em 1981, além de gravar e tocar com Dizzy Gillespie. Em 1990, Sandoval também pediu asilo aos Estados Unidos, e atualmente mora em Miami.

Em 1979, o grupo Irakere foi o responsável por uma mudança nas relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, ao ganhar o prêmio Grammy de melhor disco de Jazz. Desde então, músicos cubanos residentes na ilha também têm visitado os Estados Unidos, tais como a Orquesta Aragón e o grupo Los Papines. O Irakere teve várias formações, originando outras bandas que fariam muito sucesso posteriormente. Um exemplo é a NG La Banda, fundada pelo flautista e saxofonista José Luís Cortés. Além disso o Irakere gravou discos em diversos países, inclusive o Brasil, onde foi gravado pela Velas o excelente CD "Boleros Inesquecíveis", também agraciado com o Grammy. Tive o prazer de vê-los quando por aqui estiveram pela primeira vez, em 1987, tocando no Memorial Da América Latina, em São Paulo. 

(c) 1998 - 2005, Bernardo Vieira S., Jr.