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Salsa Brasil apresenta...

 

LOS GRANDES DE LA SALSA Y DEL JAZZ LATINO

 

Leia também: Outras resenhas no nosso arquivo.

 

 

Roberto Roena y su Apollo Sound: 36 Anos de Sucesso

 

 

 

Roberto Roena y su Apollo Sound. Este nome encerra uma das melhores orquestras de Salsa de todos os tempos. Sinônimo de Salsa progressiva, a Apollo Sound podia muito bem tocar um guaguancó, por exemplo, como podia incursionar pelo som afro-americano do soul e do funk, dada a formação instrumental composta de dois trompetes, sax/flauta e trombone, adicionando aos timbales o bumbo e a caixa, dando-lhe um som de bateria.

 

Roberto Roena nasceu em Mayagüez, Porto Rico, a 16 de janeiro de 1940. Percussionista nato, sem formação nenhuma em escola de música, começou sua carreira profissional aos 14 anos, tocando congas com a banda de sua madrinha, a cantora Myrta Silva. Depois, passou à Orquesta Panamericana de Lito Peña, onde conheceu seu grande amigo Ismael Rivera. E ambos passam, pouco tempo depois, à orquestra de Rafael Cortijo.

 

Cortijo se tornou também um grande amigo de Roena. E ensinou-lhe a tocar o instrumento que o tornaria famoso no mundo todo: o bongô. Roberto Roena protagonizou então, junto com Cortijo (timbales) e Martín Quiñonez (congas) um dos melhores times percussivos já formados em Porto Rico. O sucesso de Cortijo y su Combo levou a Bomba e a Plena para além da ilha, causando sensação em países como Panamá e Venezuela, além de acender o Palladium Ballroom, o principal salão de bailes de Nova York. Roberto Roena era uma das principais atrações da orquestra, junto com Ismael Rivera, por seus passos de baile enquanto tocava campanas.

 

Cortijo y Su Combo, 1958.

 

Um detalhe interessante, é que a maioria dos músicos de Cortijo y su Combo eram negros, e a banda foi a primeira a se apresentar em diversos lugares de San Juan onde só artistas brancos se apresentavam.

 

Entretanto, o sucesso de Cortijo y su Combo é interrompido abruptamente. Numa viagem entre a Cidade do Panamá e San Juan, Ismael Rivera foi preso por porte de cocaína. Julgado e condenado, Ismael foi para uma prisão federal nos Estados Unidos, e Cortijo, traumatizado pela perda, foi para Nova York buscar reconstruir a vida pessoal e artística. Entre os que ficaram em San Juan, havia a necessidade de trabalhar, e foi na casa de Roberto Roena que começou a se gestar aquela que seria uma das mais populares orquestras da Salsa, até hoje vigente: El Gran Combo de Puerto Rico.

 

El Gran Combo, nos anos 60: Roberto Roena está na terceira fila, em pé, sendo o terceiro da esquerda para a direita. Ao seu lado esquerdo, está Rafael Ithier, líder até hoje do grupo.

 

Ainda que as reuniões fossem na sua casa, Roberto preferiu não entrar na nova orquestra, por fidelidade a Cortijo, só ingressando nove meses depois, após a autorização expressa de seu mentor. Só então Roberto Roena se tornou um membro, e dos mais proeminentes, d’El Gran Combo em seus primeiros anos.

 

O começo da formação do grupo que se tornaria mais tarde a Apollo Sound se deu quase por acaso: como não tocava nas quartas-feiras, Roena organizou um local onde os músicos que aparecessem podiam tocar livremente, em descargas que ele tão somente organizava. Ou seja, não havia sequer uma formação fixa. Na maioria das vezes, tocavam jazz latino, e a partir daí, Roberto Roena começou a desenvolver seu talento para liderar orquestras. Forma-se então, em 1967, a banda “Roberto Roena y Los Megatones”, com alguns músicos que participavam dessas sessões livres das noites de quarta-feira. Para esse disco, intitulado “Se Pone Bueno” e gravado para o selo Alegre Records, os vocalistas foram Camilo Azuquita e Ismael Quintana. Pancho Cristal foi o produtor.

 

"Se Pone Bueno", o primeiro LP de Roberto Roena como líder de orquestra.

 

Decidido a sair d’El Gran Combo (se alega que o principal motivo dessa decisão eram suas diferenças pessoais com o vocalista Andy Montañez), Roberto Roena começou a ensaiar com sua nova banda, aplicando conceitos musicais que não teriam lugar se não fosse ele o líder. Me refiro ao fato de tocar também música americana, tendo como referência os grupos Chicago e Blood, Sweat & Tears. A primeira apresentação da nova orquestra de Roberto Roena se deu em 13 de junho de 1969, o mesmo dia em que a nave Apollo 11 chegou à Lua. Daí o nome “Apollo Sound”. Acompanhando o maestro, estava o trompetista Elías Lopés, primeiro diretor musical, que também saiu da banda de Rafael Ithier, acreditando no novo projeto musical de seu amigo. Os primeiros vocalistas da Apollo Sound foram Piro Mantilla (que cantava os temas em espanhol), Dino Guy Casiano e Frankie Calderón (que cantavam os temas em inglês).

 

"Roberto Roena y su Apollo Sound", o primeiro disco gravado para a Fania.

 

Não demorou muito para que a Fania Records, então uma gravadora que estava tentando estabelecer-se no mercado latino, contratasse a Roberto Roena. Buscando novos artistas, dentro e fora de Nova York, o famoso compositor Tite Curet Alonso foi o emissário enviado a Porto Rico, junto com Charlie Tarrab, para que escutasse o som progressivo de Roberto Roena. Uma vez contratado, a Fania estabeleceu na ilha a sua primeira subsidiária, a Fania Internacional, sendo re-batizada logo depois simplesmente como Internacional. De 1969 a 1982, Roena foi o único contratado deste selo, sendo um dos maiores vendedores da Fania Records, junto com Willie Colón, Johnny Pacheco, Ray Barretto e Hector Lavoe.

 

"Tú Loco Loco, y Yo Tranquilo": o primeiro grande sucesso da Apollo Sound.

 

Em 1971, nasce a maior orquestra de Salsa de todos os tempos: a Fania All Stars (ou, como diz o próprio Roena: “El Monstruo”), conformada pelos grandes músicos de cada uma das bandas que pertenciam ao selo. E o bongocero, como não podia deixar de ser, foi Roberto Roena. Primeiro, por ser um grande instrumentista (embora ele mesmo diga que não está entre os melhores); segundo, por ser o único bongocero líder de orquestra (de fato, são raros até hoje os líderes de banda que executam o bongô); terceiro, por ser um grande bailarino, além de ser sobrinho de um dos maiores bailarinos da “Época Áurea do Mambo” e do Palladium Ballroom: Aníbal Vásquez, um dos mestres de cerimônia dos concertos da Fania. E até hoje ele está presente nas apresentações da orquestra, em que pesem as diversas mudanças nas suas formações, desde o histórico concerto do Cheetah. Também conformou ao grupo menor que serviu de base para diversas gravações de Jazz Latino: os “Fania Six” (Roberto Roena, Johnny Pacheco, Papo Lucca, Bobby Valentín, Ray Barretto e Nicky Marrero).

 

1973: Roberto Roena e seus vocalistas. Ao centro, Tito Cruz e, à direita, Frankie Calderón.

 

Com a saída de Piro Mantilla, entra Tito Cruz, intérprete de alguns dos maiores sucessos da banda, como "Guaguancó Del Adiós" e "Hay Que Saber Comenzar". Posteriormente, passaram pela Apollo Sound: Sammy González, Tempo Alomar, Mario Cora, Papo Sánchez e Carlos Santos (em sua etapa com a Fania), tendo como convidados Ruben Blades, Adalberto Santiago e Pete “El Conde” Rodríguez. Mas a Apollo Sound também teve as suas cizâneas, e a maior delas foi a deserção de Julio “Gunda” Merced, trombonista da banda, que saiu e formou a Salsa Fever Orchestra, levando consigo mais seis músicos. De fato, houve uma “Guerra” de dedicatórias entre ambas orquestras e Roena levou a melhor, encerrando o assunto com o tema “Te Lo Voy a Jurar”.

 

Ruben Blades participou da Apollo Sound como vocalista convidado. Na foto também estão, da esquerda para a direita, os vocalistas Tito Cruz, Frankie Calderón e Sammy González, além do próprio Roena.

 

Roberto Roena foi um dos líderes de orquestra a introduzir sonoridades brasileiras na Salsa. Pode-se ouvir cortes de Bossa Nova nos ‘mambos’ de alguns números, como: “Mi Desengaño”, “El Que Se Fue” e “Lamento De Concepción”. Uma outra preocupação de Roberto Roena foi sempre incluir em seus discos gravações com letras de cunho social. Um desses temas que mais fez sucesso foi “El Progreso” (cantado por Carlos Santos), uma versão em espanhol de “O Progresso”, de Roberto e Erasmo Carlos. No entanto, eu prefiro duas músicas, cujas letras dão o que pensar: “Los Demás” (cantada por Papo Sánchez) e “Con Los Pobres Estoy” (cantada por Tito Cruz).

 

Roena em 1977, num concerto com a Fania All Stars.

 

Mas, como nem tudo são flores na vida de uma pessoa, Roberto Roena passou também por vários reveses. O primeiro foi a sua prisão, em meados dos anos 80, devido a um alegado não-pagamento de imposto de renda. Sua inocência foi provada depois de ter sido condenado, e como Don Roberto é um homem de forte personalidade, preferiu pagar por completo a sua pena, tendo passado um ano e meio encarcerado numa penitenciária, mesmo tendo o direito à liberdade.

 

Outro revés, e que fez com que Roberto Roena só voltasse a gravar na década de 90, foi o apogeu da Salsa Erótica. Roena, assim como outros músicos ora tidos como da “velha guarda”, se recusava a abrir mão de gravar temas que incluíssem apenas o que lhe agradasse. O que lhe custou o fechamento das portas de grande parte das gravadoras. Para essa época, Roena gravou somente alguns discos com a Fania All Stars, bem como participava dos seus concertos.

 

 

O começo de seu retorno se deu em 1990, quando no Coliseo Roberto Clemente a Apollo Sound abriu um concerto do cantor inglês Sting, causando-lhe surpresa e comoção ao apresentar uma versão inédita e em clave de um dos seus maiores sucessos: “Every Breath You Take”. Em 1994, Roberto Roena assinou um contrato com a Musical Productions, e para comemorar os 25 anos da Apollo Sound, celebrou-se um grande concerto no Teatro de Bellas Artes de San Juan, que foi gravado ao vivo e lançado em CD e em vídeo.

 

 

Atualmente, Roberto Roena y su Apollo Sound seguem brindando o melhor da Salsa ao público, realizando extensivamente viagens por Porto Rico e outros países, como Estados Unidos, Venezuela e Panamá.

(c) 1998-2005, Bernardo Vieira S., Jr.