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A SALSA NO MUNDO

SALSA NO PAÍS DO TANGO

Quando se fala em Argentina, e em especial na música argentina, se pensa logo no Tango, em Gardel e as notas chorosas de um bandoneon. Se você gostar de Rock, vai logo pensar em grupos de grande sucesso internacional, tais como Soda Stereo e Los Fabulosos Cadillacs. Ou finalmente, na música folclórica de Mercedes Sosa e Athauhualpa Yupanqui. Mas, e a Salsa?

Bom, na Argentina a Salsa se manifesta mais nas discotecas, onde os bailadores se encontram quase que diariamente. Muitos professores de dança vieram de fora, principalmente oriundos de Cuba, e formou uma geração de dançarinos que hoje em dia observam, e muito, a questão técnica. Infelizmente, se aqui no Brasil não há tantas orquestras de Salsa, na Argentina só existem mesmo DJ's, tais como Pablo Marielli "DJ Bat", Gastón Taborda "DJ Tiburón", Gustavo Weschenfeller "DJ Chacha" e Ezequiel "DJ Santo".

Serão justamente estes DJs que estarão presentes (ainda virão orquestras de fora, mas os nomes serão confirmados posteriormente), animando o 4º Congresso Internacional "Argentina Es Salsa", que contará com as presenças de vários casais de dançarinos vindos do mundo inteiro. O evento, coordenado por Sílvio Gonzalez, será realizado entre 1º e 4 de dezembro, logo depois do Congresso Internacional de Salsa do Brasil, que se realiza em São Paulo. Para saber mais do evento em terras portenhas, acesse o site oficial:

 

A SALSA AFRICANA

 

“Vengo a triunfar, dicen los santos,

Vengo a triunfar, con la espada en la mano.

Vengo a triunfar, dicen los santos,

Con mi tumbao, tumbao africano.”

 

“Tumbao Africano”, Ray Barreto. LP “Rican Struction” (Fania Records, 1979).

 

A ligação da música caribenha com a africana é a mesma de um filho com a mãe. É na música africana que estão todos os fundamentos percussivos presentes na música do Caribe. Os tambores, a clave e a improvisação são herança africana.  Os negros, oriundos de diversas etnias e regiões da costa ocidental africana, começaram a chegar a Cuba em 1502. O maior fluxo de tráfico negreiro se registra entre 1512 e 1790, devido ao incremento da indústria açucareira. As autoridades coloniais não permitiam a união dos diversos grupos étnicos, para que não se comunicassem. Não era permitido aos escravos qualquer tipo de diversão, a não ser cantar e dançar nas senzalas, ou então nas plantações, para que pudessem descansar um pouco do árduo trabalho que tinham. Despojado das suas manifestações culturais originais, o escravo passa então a assimilar, obrigatoriamente, as impostas pelos colonizadores. Ao integrar as novas relações sociais, durante sucessivas gerações, os negros passaram a formar novos elementos culturais na sociedade americana. Puderam conservar alguns traços de suas etnias, a fim de se diferenciar dos outros grupos. Assim como no Brasil, o sincretismo religioso é bem forte, por exemplo: as três maiores festas religiosas cubanas são dedicadas igualmente aos santos e orixás: Changó (Santa Bárbara), Ochún (Virgen de La Caridad Del Cobre, padroeira de Cuba), Babalú Ayé (São Lázaro), entre outras. Nas zonas rurais, os negros promoviam as “Fiestas De Tambor”. A mais popular era a do tambor Yuka, cujo nome é derivado dos instrumentos de percussão usados, como a Caja, o Cachimbo e o Mula, tambores consagrados aos deuses do povo congo. Além do baile, havia improvisações de solistas (os “gallos”) que eram respondidos pelo coro, através de um estribilho. Note-se que isso permanece até hoje na Salsa. O coro propõe um mote, e o sonero responde, improvisando.

Uma história que ficou famosa da Fania All Stars no Zaire (atual República Democrática do Congo), foi que, para a histórica luta entre Muhammad Ali (Casius Clay) e George Foreman, vieram vários astros da música negra americana, como B.B. King e James Brown. Frente a 10.000 pessoas, James Brown desceu do avião pensando que estavam esperando por ele, quando na realidade queriam ver Celia Cruz, Johnny Pacheco e as estrelas da Fania. Ao que Brown gritava "My People, My People!!!", os fãs africanos gritavam "Pacheco, Pacheco!!!". E ao perguntar quem era esse tal de Pacheco, Celia Cruz lhe respondeu: "É o senhor que está ali, e nós estamos aqui por causa dele".

Segundo o próprio Pacheco, o que James Brown não sabia é que sua Charanga já havia visitado nove vezes o continente africano, e que ali quem mandava era a música latina. Quando Celia Cruz começou a cantar "Guantanamera", 110.000 pessoas a acompanharam...

Em alguns países da África, os primeiros grupos de Salsa surgiram na década de 60, cantando em espanhol fonético os sucessos latinos de Cuba e Nova York. Os cubanos souberam muito bem manter esses vínculos musicais com a África,  e muitos temas de Salsa e Son tem em suas letras vocábulos dos idiomas wolof e yoruba, entre outros. Os pioneiros dessa versão 'afrocêntrica' foram o tresero cubano Arsenio Rodríguez e o percussionista Luciano "Chano" Pozo, visitando o continente africano não só para apresentar-se, mas principalmente para agregar elementos novos à sua música.

 

Outro músico que esteve várias vezes na África, buscando diretamente na raiz novos elementos para sua música foi o conguero Ray Barretto. Ele, que também fez parte da delegação da Fania nesta histórica viagem, se apresentou várias vezes no Senegal, no Congo e na Costa do Marfim.

 

 

Uma outra via de intercâmbio entre a África e o Caribe se deu através da política. Entre 1975 e 1990, o governo cubano enviou tropas para ajudar os governos africanos que haviam adotado o sistema socialista de governo, especialmente Angola e República Popular do Congo. Começou então um contato mais estreito entre músicos cubanos e africanos, resultando em ritmos como o zoukous (não confundir com o Zouk), também conhecido como ‘Rumba Africana’, muito popular no Congo. Uma outra forma de intercâmbio foi o envio de estudantes africanos a Cuba. Uma vez que tomavam contato com os ritmos cubanos, muitos deles acabaram formando grupos de Son e Salsa, quando voltavam aos seus respectivos países.

 

Então, não é de se surpreender quando vemos diversos grupos de Salsa africana fazendo sucesso, não só em seus países de origem, mas também na Europa, onde muitos deles vivem.

 

Eis um panorama dos principais cantores e grupos africanos de Salsa:

 

MARAVILLAS DE MALI: Orquestra formada em Cuba nos anos 60 pelo estudante universitário malinês Boncana Maiga.

 

GRAND KALLÉ: Sonero congolês, considerado um dos grandes nomes da Rumba Africana.

 

SAM MANGWANA: Cantor angolano que em sua proposta de Salsa introduziu também elementos da música brasileira.

 

ORQUESTA MAKASSY: Originária do Zaire (atual República Democrática do Congo), é uma orquestra de zoukous, mas que também gravou diversos outros ritmos latinos.

 

ORQUESTA BAOBAB DE SENEGAL: Antecedente da orquestra Africando, foi muito popular em toda a África nos anos 70 e 80.

 

TAM TAM 2000: Grupo formado por músicos do Senegal e de Cabo Verde. Seu repertório é composto de temas tradicionais cubanos.

 

4 ETOILES (4 ESTRELLAS): Grupo congolês, intérprete de zoukous e son montuno.

 

MANU DIBANGO: Saxofonista camaronês, emplacou mundialmente nos anos 70 com o tema “Soul Makossa”, gravando-o inclusive com a Fania All Stars no histórico concerto do Yankee Stadium, e que gravou há alguns anos o excelente CD “CubAfrica”, em parceria com Eliades Ochoa e o Cuarteto Pátria.

 

LABA SOSSEH: Sonero senegalês, gravou para o selo SAR de Roberto Torres.

 

RICARDO LEMVO Y MAKINA LOCA: Sonero oriundo do Zaire, filho de angolanos. Reside atualmente nos EE.UU., tendo lançado discos de muito sucesso.

 

AFRICANDO: Banda criada sob a inspiração de Boncana Maiga e formada em sua maioria por senegaleses. Quase todos os seus discos foram gravados com a colaboração de músicos e cantores radicados em Nova York.

 

LOS AFRO-CUBANOS DE SENEGAL: Projeto recente de músicos senegaleses, que em 2002 gravaram dois discos em Cuba, acompanhados por músicos da ilha.

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